quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Ano Novo - Esperânça sim, otimismo não.

        
        
       
           Como brasileiro que sou, tenho esperanças de dias melhores para o país e o povo. Mas não há razão alguma para otimismo.
         A inflação acaba de atingir o impensável patamar de dois dígitos muito acima do teto "previsto", o PIB brasileiro se removermos a maquiagem contábil, é o menor desde 2002. A política fiscal, sob a égide da gastança, também sofreu cirurgias contábeis como vendas fictícias de plataformas e, mesmo assim, atingiu um superávit primário negativo.
         Esse resultado primário foi negativo pela primeira vez desde que o Banco Central começou a computar dados do setor público, que inclui governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais, em 2001. 
         Em 2013, houve um superávit de R$ 91,3 bilhões, e em Em 2014, com o advento dos escândalos, o déficit apareceu nu e cru e foi de R$ 32,5 bilhões. 
         Embora jovem, a Constituição chega aos 25 anos como uma anciã, cheia de botox e implantes. Ela é hoje a própria negação da estabilidade institucional, pois o executivo governa através de recorrentes abusos e MPs, o congresso interfere descaradamente nas políticas públicas indicando cabos eleitorais para cargos públicos e o judiciário, volta e meia, atropela os outros poderes. 
        Quanto a corrupção, nossa imagem internacional se deteriora em curva ascendente, mas tudo é justificado em nome da governabilidade. O Estado não para de crescer. Há bem pouco tempo a presidente nomeou 2.315 funcionários sem concurso. O mesmo fez o senador Renan Calheiros, que também sem concurso nomeou mais de 2.200 funcionários para o senado. 
         É lógico que a carga tributária tem que aumentar, e para compensar esse desajuste moral, o Estado distribui bolsas e cotas, sem se preocupar com a saída digna desses milhões de cidadãos da real miséria mantendo-os presos aos favores oficiais. 
         O que era pra ser inclusão torna-se assistencialismo permanente e eleitoreiro. A esquizofrenia da União se espalha como rastilho de pólvora por estados e municípios aumentando o caos institucional. Nossas cidades converteram-se em campos de violência, o painel se amplia com o caos automotivo resultado de políticas equivocadas. 
         Saúde educação e infraestrutura completam um governo sem planejamento, sem nenhuma política macroeconômica e atirando em todas as direções na busca descarada de votos.

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Existe vida inteligênte no universo?




      Esse é um ensaio sobre: A Prepotência e a arrogância dos homens - ou um tributo a leviandade do pensar. 
      Um vírus é por demais pequeno para ser visualizado em um microscópio comum, e há mais organismos vivos, vírus, bactérias etc... morando na pele de um ser humano do que gente no planeta.
      Cerca de quatro mil desses organismos estão apinhados em cada centímetro de pele dos braços, sendo que nas axilas o número pode chegar a casa dos dois milhões.
       Mas vamos ao que interessa...
       Sônia Vírus estava sentada em seu vale de poros, pensando em todos os problemas que afligem seu mundo tendo ao lado sua melhor amiga Claudete Vírus, que repentinamente desabafa:
     - Ah, estou com um terrível dilema na cabeça! As crianças perguntaram sobre vida em outros mundos e eu fiquei em dúvida sobre o que falar.
    - Sônia prontamente dispara: Bem, basta faze-los ver as estatísticas vitais que possuímos, que são se não me falha a memória mais ou menos 25 nano-milímetros, ou a perfeição com que fomos gerados, ou então o  maravilhoso sistema de vida em nosso mundo, para depois perguntar se podem conceber no universo raça maior ou mais perfeita. E aí dê o assunto por encerrado, ora vida em outros mundos... Bah.
     O mundo em que viviam era um lugar muito esquisito, em que todos os habitantes residiam em vales de poros (pequenas cavernas no solo) e que dependendo do local geográfico podiam possuir pilastras imensas originadas do centro dos poros e que se entrelaçavam entre si no alto em suas pontas.
     Alguns grupos de vírus conseguiram escalar essa massa de pilares e olhar para o espaço exterior acima da superfície em que moravam.
     Era realmente notável a imensidão inexplicável do universo de pelos ou pilares repetindo-se até o infinito revelado pelo alcance óptico de um vírus.
     Sônia Vírus e sua amiga estavam sentadas em um dos vales de poros, numa região que raramente era coberta de pelos, ou pilares como eram chamados e de onde podiam olhar para os céus, e Claudete perguntou olhando para cima:
     - Muitas vezes fico pensando, Sônia, existem ou não outros mundos além do nosso?
     Ouviu-se então uma nova voz, um senhor vírus chamado Aragon, nascido de uma cultura de Uganda, ou pelo menos era isso que constava na memória genética de seus antepassados, que disse:
    - Tolice Sônia, tolice, você sabe perfeitamente que há milhares de mundos no universo dos poros e acima deles. Já não os vimos à distância as vezes? Mas não sabemos se possuem vida inteligente sobre a superfície, sabemos?
   - Uma quarta voz se fez ouvir:
   - Bem, eu acho que nosso mundo foi feito especialmente para nós. Não existe nenhum outro mundo com uma vida como a nossa. Sinceramente creio que o mundo inteiro foi feito por Deus para nós vírus, que afinal fomos criados a sua imagem e semelhança, ou não?
    Pensem bem, vocês conhecem outra forma de vida que se compare com a nossa, outra inteligência semelhante? E os vales em que vivemos, como foram criados? por quem? para quem?
     Somos a forma de vida mais evoluída e dominante do universo.
    Quem falava era Rudi Gama, um tipo de sujeito erudito, viajado e respeitado, afinal tinha ido, certa vez, até o vale de poros vizinho de modo que sua opinião era sempre ouvida com respeito.
    - Ah, isso tudo é pensamento burguês, o que vale mesmo é a autoridade e a liderança, disse com convicção Nestor, um vírus com tendências esquerdistas latentes. Deus não existe, vida em outros mundos não existe, é tudo uma enganação barata.
     - É falou Sonia, não sei, talvez você tenha razão,  já rezei muito e nunca tive resposta as minhas preces, e vocês?
     Os outros ficaram ali sentados, calados, refletindo, imersos em seus pensamentos.... então veio a catástrofe.
      Do espaço exterior veio uma coisa imensa, creio que era um OVNI ou coisa pior, cortando e ceifando com velocidade espantosa, as pilastras ou pelos dos poros, raspando e destruindo tudo enquanto Sônia gritava "Valha-me Deus" !
      Então, um dilúvio ardente caiu sobre eles e de repente, Sônia, Claudete, Aragon, Rudi Gama, e Nestor Vírus deixaram de existir quando o mundo chamado humano passou uma loção após barba no rosto!


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Jesus Cristo Superstar


         Tapetes Vermelhos? Prédios do mais alto Luxo? e nosso povo com fome... Alguém precisa lembrar a alguns dos poderosos e ricos senhores que se autointitulam Bispos, apóstolos, pastores entre outras denominações mais, sejam católicos evangélicos ou mesmo luteranos que CRISTO não é de sua propriedade, mas reside em cada um de nós. 
        A pompa, riqueza e luxo ostentado pelo Vaticano assim como os riquíssimos templos evangélicos, contrastam tristemente com a vida e a história DAQUELE a quem dizem representar, o qual segundo se crê nasceu em um estábulo na mais absoluta pobreza e durante sua curta passagem por aqui despojou-se de toda e qualquer posse que considerasse mais necessária a outrem. 
        Se não aprendem lições simples de humildade e paixão como esta, como podem pretender serem nossos guias até ELE. Vosso caminho me parece o inverso. 
       As atitudes, envolvimento em políticas, apego ao ouro, os paramentos e serviços das igrejas e assembleias sempre me trazem à mente a imagem dos romanos, suas pompas, riquezas e tudo mais do qual o SENHOR tanto se afastava assim como seus discípulos. 
        CRISTO, segundo me ensinaram nasceu e viveu na pobreza e sempre repetia: A maior riqueza é o pensamento puro e voltado à meu PAI. ELE é o único Caminho, a Verdade e a Vida!  Peço escusas sinceras, mas não consigo vê-los como representantes DELE.  
         Seus bispos, padres e pastores, falam NELE mas não vivem como ELE.  Pregam suas palavras, mas não as seguem,  pedem - amai-vos uns aos outros - mas não se entregam ao amor, e não estou falando só de amor carnal, mas fraternal. 
         Desdenham e desprezam o sagrado mandamento que prega:  Usai ne polluatis nomen meum sanctum , ut non quaecumque vultis ut faciant vobis vanum nec teipsum. (Não usai meu santo nome em vão assim como não fazei a outrem o que não fazes a ti mesmo). 
         Por favor, para as Igrejas serem a legítimas representantes de CRISTO, só se for através do FAÇAM O QUE DIGO MAS NÃO FAÇAM O QUE FAÇO! 
       É impossível descobrir um CRISTO de humildade e amor através dos vossos passos e atitudes! Parecem mais como sacerdotes Saduceus, a que o Senhor tanto desprezava.
        Sei que, por alguns, vou ser criticado, amaldiçoado e até excomungado, mas para ser coerente com meus princípios não posso mudar meu modo de pensar, assim sendo: 
         Vocês não servem de EXEMPLO para quem quer descobrir o caminho até ELE! 

Texto: analfaBlog
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O Brasil que eu tanto quero.

           

          É manhã de quase primavera e realmente parece que o dia promete ser lindo, um ímpar presente da natureza para quem decide ir caminhando para o trabalho.
           Andava em direção ao centro da cidade, conjecturando sobre as últimas noticias do pedaço de mundo chamado Brasil.  Quais as regras que irão reger as próximas campanhas políticas?  Irá se sustentar a fidelidade partidária?  E o foro privilegiado para autoridades políticas? A presidente cai ou não?   
       De repente ao virar em uma esquina deparei-me com uma triste cena: duas crianças pequenas, dormiam sobre jornais debaixo da marquise de um magazine, cobertas com papelões e trapos como único abrigo contra a noite anterior, que se bem me lembro, chovia muito quando fui deitar por volta das 11:00 da noite.
       Ainda pasmo e triste com a cena, sigo na caminhada pela manhã agora já não tão linda. 
      Retomo meus pensamentos para a atual situação política do país e recordo as recentes maracutaias e negociatas nos escabrosos corredores do planalto!
      Passo através da praça central e ao sair do outro lado, vejo um casal, com uma criança de colo, buscando em uma lixeira pública o que seria a primeira refeição do dia. 
        Descortinou-se então uma visão do cotidiano em sua face mais cruel.
       O dia continuava lindo, mas as nuvens da miséria patrocinada pela corrupção insistiam em pinta-lo de cinza e cobriam tudo com a névoa rubra que só o desencanto é capaz de produzir.
     CPIs, promessas de campanhas, desvio de verbas para enriquecimento pessoal, mensalão e mensaleiros, petrolão e seus canalhas, líderes que bradavam ética e honestidade e ora desnudos mostravam-se sujos como breu,  outros quando em campanha tudo criticavam agora após eleitos nada sabem e nada veem, filas intermináveis em pronto-socorros e muitas outras sandices começaram a perturbar meus pensamentos e poluir a visão do dia que se iniciava, cobrindo de horror minha mente.
       Senti-me réu em assumida culpa por omissão!
       Como pude ver isso todos os dias e ainda assim não ver?  O que houve com meu senso de justiça?  O que me tornei?  Onde em minha caminhada pela vida adentrei nesse caminho?  Quando me tornei conivente e cúmplice dessas barbáries?
       Na verdade eu sempre soube as respostas, apenas me recusava firmemente a assumir minha parte na culpa.
        Eu sabia por exemplo, que quando permiti que a propaganda eleitoral (na verdade eleitoreira) entrasse em minha casa, com seus chavões e imagens criadas com todo zelo por marqueteiros profissionais, e me seduzisse com suas promessas e ilusões, tornei-me cúmplice das safadezas que estariam por vir.
       Bastaria apenas desligar a TV no horário eleitoral,  e procurar por mim mesmo aquele a quem meu voto iria ajudar a eleger-se.
      Não, claro que não,  é muito mais fácil e cômodo fazer a escolha pelo que nos mostram como "verdade" sobre as intenções dos políticos.
      E então, com nossa total permissão, na tela, finalmente descortina-se diante de nossos olhos a solução de todas as mazelas.       
      Tchan-tchan... Ele, "o candidato".
      Impecável, bem falante, quase sempre cercado de crianças sorridentes e felizes,  e uma cuidadosa partitura musical de fundo a emoldura-lo em seu melhor sorriso.
      Então, pra finalizar o tempo disponível no horário eleitoral com chave de ouro: "O jingle da campanha"!
      Sou apenas mais um brasileiro descontente com a nossa política, mas o olhar daquela criança comendo lixo com seus pais vou reter com cuidado na memória,  e será esse olhar que levarei para a cabine de votação nas próximas eleições.
       Vou, a partir de agora,  fazer toda a força possível para jamais esquecer, que todos nós comemos  os  "frutos" de nossas escolhas!

Texto: AnalfaBlog
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Pasadena - Aventura Comercial ou Criminosa?




     Recentemente me descobri pensando sobre a incapacidade das pessoas em geral de reterem ou ao menos interessarem-se em analisar um pouco mais os fatos e notícias sobre nosso cotidiano, e ir a fundo em suas verdades e mentiras. 
     Isso demonstra que a população esta por demais acomodada em receber tudo mastigado, devidamente adoçado pela grande mídia e previamente escrutinado por editores zelosos em informar, sem causar danos mais sérios aos donos do poder. 
        Assim é a recente, e já quase esquecida, compra da refinaria de Pasadena no estado do Texas (EUA).
        Só pra lembrar, em números redondos a Astra-Oil, empresa Belga, comprou a refinaria como sucata em 2005 por US$ 42 milhões. Um ano depois, em 2006 vendeu 50% para a Petrobras por US$ 360 milhões. 
          Esperem um pouco: A Astra-Oil compra uma sucata em leilão por US$ 42 milhões e em um ano vende para a Petrobras apenas metade dela por US$ 360 milhões?  Tudo bem que US$170 milhões seriam reservas de petróleo mas algo não cheira bem...
         Argumentava-se que o consumo de combustíveis, então estagnado no Brasil, disparava nos Estados Unidos em meio a euforia generalizada pela economia aquecida, mas a diferença gerou um ágio impensável e inconcebível em transações internacionais. 
         O conselho de administração da Petrobras, presidido por Dilma Rousseff,  mesmo já surgindo ventos de mudanças na economia mundial aprovou e autorizou a transação que tornava a estatal brasileira sócia da Belga Astra-Oil. 
        Os preços do petróleo, como era previsto mesmo antes da compra, assim como os lucros estimados despencaram e a sociedade chegou ao fim.
        Com o divórcio, Dilma e seus conselheiros descobriram as pesadas vantagens contratuais em caso de prejuízo ou queda na produção ou venda do óleo, a favor da empresa Belga. 
        Resignados Dilma e seus conselheiros dispuseram-se a pagar - pasmem - US$788 milhões pelo restante da aventura desastrosa, mas foram barrados pelo conselho administrativo que não deu seu aval.
        Próximo passo, a justiça. Prevendo uma derrota na seara jurídica a Petrobras fez um acordo de US$821 milhões. 
          Soma total do nosso prejuízo, fruto de uma aventura criminosa do governo: US$ 1,18 Bilhão. 
        Alguém viu ou escutou isso na Rede Globo de Televisão? na Record? na Rede Tv? no SBT? ou mesmo leu em algum jornal? 
          Quando o mundo é de sonhos, não gritem, não alertem.... o santo é de barro.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Criar filhos - um desafio à altura de todos?


    Recentemente estava refletindo sobre minha família, mais especificamente os filhos, ou melhor dizendo as filhas. Criar filhos é sempre uma tarefa  das mais complicadas e difíceis, pois é muito grande a responsabilidade de ensinar crianças e jovens ao longo das diferentes fases do desenvolvimento. 
        Hoje é uma das funções mais longas acompanhar um filho até que ele consiga ficar "independente", e, no entendimento dos pais filho é para toda a vida mesmo que já saiba se cuidar. 
        Tudo o que lhes acontece nos envolve de uma forma ou de outra, e, pai e mãe amorosos ficam ao lado, torcem, opinam, ajudam, fazendo de tudo para que a vida dos filhos seja a mais leve e segura possível. 
      Claro que vemos - ou ficamos sabendo - de filhos criados com abandono, seja por negligência ou mesmo falta de informação, oriundos de lares com pais que concentram-se em problemas mal resolvidos no relacionamento e negligenciam os filhos deixando-os à própria sorte. 
       Para um desenvolvimento maduro e saudável, crianças precisam proteção, segurança e carinho, mas também há de se ter ordem, respeito e limites que são fundamentais para o equilíbrio da relação afetiva.
       Pais socialmente bem formados sabem que dizer "não" pode ser feito sem a dureza e a rispidez que antes predominava, sabem também que o(a) filho(a) precisa ser ouvido, dizer o que pensa, o que sente, e perceber-se como parte fundamental do micro-universo chamado família.  
       Nada disso tem relação com inverter os papéis e deixar os filhos comandar tudo, assim como não há necessidade de comandos rígidos quando impera o respeito. 
       Creio que é deveras importante observar que as infelicidades, carências e desatinos dos pais aparecem na criação dos filhos, surgindo muitas vezes em atitudes, palavras ou mesmo reações agressivas, e que são, por omissão ou comodidade, "interpretadas" como - ele tem um temperamento difícil  ou ela tem uma personalidade forte - mas são essas reações que demonstram no dia a dia, assim como nos comportamentos mais desajustados, que nos dizem que algo está errado.. 
       Talvez fosse oportuno alguns pais  refletirem sobre o que está havendo em suas próprias vidas quando algo está acontecendo nas vida dos filhos. Não quero falar de culpas, mas sim de responsabilidades de uns para com os outros nessa relação simbiótica. Nada acontece isolado. É duro? Mas é assim, não se pode olhar para a vida confusa dos filhos e dizer que não temos nada com isso.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Política Brasileira - Os donos do Jogo.



        Existe uma frase célebre de autoria de Karl Marx:" Os filósofos já se puseram a pensar o mundo. Resta agora transforma-lo". Examinando o cenário político brasileiro, entendo que isso nos mostra que temos uma legislação esplêndida, não perfeita, mas passível de modificações com uma emenda aqui, outra ali, sem recorrer-se a este engodo que estão pretendendo. 
       Para tal  basta que as leis existentes sejam fiscalizadas e cumpridas igualmente por todos.
        Qualquer observador mais atento percebe que de nada adianta consultas populares para a realização de uma reforma política se, efetivamente, sejam qual forem suas alterações, nada ou muito pouca coisa irá melhorar, e aqueles afeitos à corrupção sempre encontrarão formas para continuar obtendo vantagens. 
        Para que tantas discussões sobre financiamento de campanhas público ou privado, se os partidos manipulam as doações para seus candidatos como lhes convém? 
        Os atuais partidos políticos no Brasil, - todos - tem a corrupção, interesses pessoais, troca de vantagens e propinas, como algo natural e necessário ao "jogo político". As exceções ficam por conta de alguns parlamentares que ainda creem ser possível fazer uma boa política voltada a causas mais nobres. 
       Enquanto não mudarmos o pensamento de que nós eleitores somos os patrões com poderes para admitir e demitir, nada ira mudar. O sistema deveria estar abaixo da lei, mas infelizmente está sobre ela, manipulando-a, ignorando-a. Prova disso, é que aqueles que detém o poder fazem o que bem querem, deixando-nos a amarga sensação de impunidade. 
        A população precisa entender que, enquanto existirem chavões e gritos de ordem raivosos, invasões e depredações, movimentos - ditos sociais - habilmente orientados e financiados por aqueles que vão realmente obter as vantagens, o Brasil nunca irá mudar. Todos perdem. 
      A mudança começa através do voto (honesto e passível de auditorias), excluindo-se paulatina mas definitivamente os maus gestores e legisladores, renovando-se constantemente o sistema com pessoas sérias e comprometidas. 
       Por enquanto, vendo policiais, prefeitos, deputados e até juízes envolvidos em maracutaias e corrupção, penso que se Jesus Cristo voltasse à terra, ofenderia os interesses da classe dominante sendo novamente crucificado. 

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terça-feira, 17 de novembro de 2015

Samarco - Dilma Rousseff, e a Tragédia em Mariana.

Vocês com toda certeza já foram bombardeados, por todos os lados com artigos em sites, blogs, revistas ou mesmo assistiram em telejornais o rompimento da barragem em Mariana/MG. Em todos os casos o que se vê é a ressonante preocupação com valores, custo e multas, enquanto o que realmente é preocupante é o terrível impacto ambiental e suas consequências.
              Mas afinal... O que aconteceu?... Porque aconteceu?... Como deixaram que acontecesse?

Vamos aos fatos!

           A Samarco é uma joint venture onde a Vale do Rio Doce possui 50% do capital. Já a Vale do Rio Doce tem o Governo Federal como seu maior acionista. Logicamente, então, a maior responsável financeira e de reconstrução passa a ser Dilma Rousseff. Talvez seja por isso que tenha demorado tanto tempo a visitar o local.
          No Wikipedia consta: O principal acionista da Vale é a União, através do BNDES, participações de fundos de previdência de suas estatais e de participação direta, que detêm a maioria das ações da Vale.
         Quem controla a Valepar é a Previ. Quem nomeia os diretores da Vale é a Valepar. Quem nomeia os diretores da Previ é o Banco do Brasil. Quem nomeia os diretores do Banco do Brasil é Dilma.
         Em 2013, o governo de Dilma Rousseff, criou à Agência Nacional de Mineração, que pelo jeito foi só mais uma agência reguladora para criar mais cabides de emprego, pois fiscalizar e normatizar, dá muito trabalho, e foi o que não fizeram. E se pesquisarmos mais a fundo,saberemos que a VALE na verdade,nunca foi privatizada, o que houve foi um acordão de FHC e os atuais mandantes do país.
         Resumindo,a Vale é dona de 50% da Samarco. O Governo Federal é dono de 49,8% da Vale. Quem é o maior responsável pela tragédia? O atual presidente da Vale, sr Murilo Ferreira, foi fincado lá pela Dilma Rousseff através da influência dos fundos de pensão. O presidente da empresa é da cota pessoal dela, logo quem manda ali é ela. Ela não sossegou enquanto não tirou o Roger Agnelli que era e de fato competente. A Vale hoje é usada politicamente como a Petrobras.
          De um modo geral o efeito obtido no caso de Mariana é o de banalização de uma matança e de um crime ambiental histórico. Como não houve chuvas, inventa-se um terremoto. A morte indescritível de moradores e a destruição de suas vidas e sonhos por uma empresa ganham, no máximo, uma cobertura de 20 segundos em jornal local, sem entrar no âmago da questão. Samarco é uma denominação jurídica, formada por grupos poderosos e esses formados por "pessoas", com o domínio do poder seja através do capital especulativo ou da força política que detém, manipulam e dominam.
           A mídia trata o caso, em especial a Rede Globo de televisão e jornalismo, com cuidados extremos, escolhendo criteriosamente o que falar ou divulgar para não chegar a instâncias superiores e desnudar "O Rei", agindo como se fizesse parte do sistema ser soterrado por uma lama tóxica enquanto se escuta a novela das oito.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Corrupção Brasil - Mazelas de uma Nação Agonizante.




               Brasil, eterno "país do futuro", encontra-se hoje envolto em um manto escuro e espesso de uma crise social, econômica e política sem precedentes, da qual não se vislumbra saída, ao menos a curto prazo.
          Suas instituições, arduamente reerguidas após a saída dos militares do poder, encontram-se amordaçadas por um aparelhamento ardilosamente calculado e milimetricamente executado, com a finalidade única de tomada do poder por aqueles que antes se autodenominavam "heróis da  democracia".
       Nosso congresso está engessado, inoperante pela ação nefasta de políticos de caráter duvidoso e a proliferação de legendas de aluguel, onde os bons políticos, raras exceções, bradam do alto das tribunas suas denúncias e protocolam seus projetos de moralização da coisa pública, lutando - como Quixotes tupiniquins - contra uma esmagadora força da turma do "toma lá, da cá", que por sua vez conduz  pautas assustadoramente criminosas a acordos e conchavos, onde todos lucram menos a população.
      Hoje com as comunicações globalizadas chegando até nós em segundos, revelou-se  impossível a manutenção de segredos e negociatas ocultas, criando espaço em cena para outra figura: O traidor, personagem do mesmo teatro criminoso, que para livrar sua pele, abre o jogo sem nenhum pudor.
      Como sabiamente nos ensinava o saudoso Ulisses Guimarães: "O mau das conversas supostamente secretas é que sempre haverá no mínimo três versões: a sua, a do outro e a verdadeira".
       O país tornou-se em pouco mais de doze anos uma fértil incubadora de corrupção, onde o bem público mistura-se com o privado em uma dança macabra e bilionária, expropriando os cofres da nação em uma sangria interminável.
      A corrupção é o cupim da república. Um país tomado pela corrupção impune, tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salva-lo, o tiranizam.
      Não roubar, não deixar roubar, por na cadeia quem roube. Eis o primeiro mandamento da moral pública e política.
      Não é muito mas com certeza será um bom começo.   


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Brasil, faroeste caboclo.


          Num dia falta água, no outro falta luz, já dizia a marchinha de carnaval "vaga-lume" de 1954. 
         Se fosse hoje, retrataria uma realidade bem mais atual, tenebrosa e complexa. Num dia falta água. No outro falta luz.  No terceiro surge um novo escândalo da Petrobras. No quarto as manchetes se voltam para a crise econômica. No quinto, fala-se da crise política, em que o executivo e o congresso não se entendem. No sexto, as redes sociais pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff. 
        No sétimo - bem, no sétimo é melhor descansar, pois tanta confusão não cabe em uma única marchinha. Está mais para um rock´n´roll de letra interminável, como o "faroeste caboclo" de Renato Russo.

domingo, 16 de agosto de 2015

Brasil - Retalhos do dia a dia - 2

Brasil - Retalhos do dia a dia - 2
Coletânea de observações do nosso cotidiano político.

            O transatlântico Brasil segue lentamente em alto mar. Tem problemas crônicos na casa de máquinas. A capitã e sua tripulação tomam as providências: Reúnem-se para discutir a faxina no convés e a arrumação dos móveis no salão de jogos. A esquizofrenia do transatlântico chegou a um ponto quase folclórico. Nem se pode mais dizer que os problemas cruciais do país permanecem intocados por causa do conflito de interesses. Não é mais o falso debate sobre privatizações,ou tirar esta ou aquela classe do nível A para B, em que um lado fica querendo parecer mais brasileiro do que o outro empunhando falsos dogmas de patriotismo. Agora é pior, já que oposição e situação não mais se diferenciam, a paralisia está no consenso.

        Por debaixo dos panos, governo e oposição estão caminhando para a costura de um acordo que acaba com o tema impeachment. Um movimento gigantesco, uma mobilização descomunal de energia e tempo para mudar a mudança, para jogar fora a arte final e consagrar o rascunho – que depois de amanhã alguém provavelmente descobrirá que não serve (tanto que já não servia) e partirá para rasurar a rasura.

       Não importa discutir se é o ideal ou não que os presidentes, governadores e prefeitos possam criar acordos e regras em seus mandatos. O que importa é que o Brasil não é confiável para criar regras, porque não se acostuma a respeitá-las. Talvez o impeachment, como sonha utopicamente a imensa massa de brasileiros descontentes, seja mais problema que solução. Ou talvez seja o contrário. Quem pode afirmar categoricamente? A única certeza inquestionável é que, se o Brasil tem problemas na casa de máquinas, esse definitivamente não é o tema que vai destravá-lo, que mereça a prioridade um acordo nacional em torno do: "O que fazer se...".

       É impressionante que um governo, um congresso, enfim, as instituições políticas de um país com tudo por fazer estejam mobilizadas para rasurar mais uma vez uma regra que, na perspectiva do tempo histórico, acaba de ser mexida, e que tem muito pouco a ver com o bom funcionamento da casa de máquinas, do país real.
      O impeachment pode ser bom, porque a continuidade da atual administração é um prenúncio de dias negros. Se há imperfeições na forma como tem sido processado, que se busque as correções de rumo. É preciso livrar-se de uma vez por todas dessa síndrome adolescente de que avançar é criar regras novas a cada nascer do sol.

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sábado, 15 de agosto de 2015

Brasil - Retalhos do dia a dia.

Retalhos do dia a dia.
Coletânea de observações obtidas a partir do nosso cotidiano.

      Causou-me espanto ler num jornal da capital gaúcha uma observação sobre as ferramentas utilizadas pelos deputados e senadores brasileiros em seu estafante "trabalho":  
-1º) Tablet pessoal. A grande maioria revela sem o menor pudor, não saber usar e nem ter interesse em aprender. 
-2º) Notebook. O senador entrevistado revela que tem vários "rolando" pelos gabinetes e que as vezes tem dificuldade de localizar o seu. 
-3º) Telefones celulares. A média dos parlamentares possuem três, para (dizem) melhor exercer o seu ofício, e em média são 60 a 120 por gabinete. Isso tudo generosamente pago pelo contribuinte, ou seja você, eu, o taxista, o padeiro etc... sem contar que  devido ao "acúmulo" de trabalho nos quase 3 dias passados no congresso, sempre pode sair uma soneca afinal ninguém é de ferro.
          Agora vejamos as ferramentas utilizadas pela maioria dos professores públicos brasileiros: - Giz e Quadro-negro, quase sempre em péssimas condições assim como as escolas em que ensinam. E nas campanhas políticas pregam em alta voz ser a educação a prioridade para o desenvolvimento do país.
           Em outra parte do Brasil, jornal local estampa na coluna policial matéria em que a irmã de uma vítima de assalto, ligou para a polícia relatando o fato recém ocorrido, e teve como resposta de uma atendente que não era possível fazer nenhum atendimento ou mesmo ir ao local por estarem sem viaturas. Como? O que? Em uma cidade de quase 400.000 habitantes não ter viatura? Como um país, dito "emergente", saindo do terceiro mundo, que não tem dinheiro sequer para comprar viaturas policiais, quer sediar uma copa do mundo? Fica aí a pergunta!
         Apenas por curiosidade, fico pensando se nossos líderes tanto no legislativo, executivo ou judiciário não estão exagerando nas sucessivas propostas de aumentos exponenciais de seus já vultosos salários, incrivelmente maiores do que a receita da grande massa, que no final das contas é quem realmente trabalha e produz nesse país, para que eles brinquem de autoridades e recebam os louros do poder. 
         Gostaria de ver um, apenas um, dos nossos mandatários seguir o exemplo de Deng Xiao Ping, que se destituiu de todo salário, e de todas as regalias e honrarias ao assumir uma China caótica e atrasada e graças ao seu governo é hoje a potência comercial e financeira mais respeitada no mundo. Gostaria, mas como não posso esperar sentado vou juntar-me a vocês, que diferentemente deles temos que trabalhar.

Texto: AnalfaBlog
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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

PT - Um partido e suas contradições.

        O PT é, de longe, o maior caso de sucesso na história partidária brasileira permanecendo por 16 anos a frente do governo federal, considerando que a atual presidente consiga encerrar seu mandato.
        Sucesso que deriva em primeiro lugar, de seus próprios méritos, por ser uma sigla com a mais aguerrida militância e um líder cujo senso estratégico e carisma não encontra igual na política brasileira. Em segundo lugar, pura sorte.
       O partido governou o país na época de ouro das matérias primas exportáveis e navegou na esteira da bem sucedida estabilização econômica dos anos 90, conquistas herdadas do governo FHC que o precedeu.
    Hoje a economia parou, a miséria voltou a crescer, a corrupção não sai das manchetes e nossa maior empresa pública está na lona. Para qualquer partido, seria o fim. Não para o PT.
    A frase mais ouvida, por esses dias, é que o partido deve "voltar as origens". Volta e meia, esse discurso aparece. Lula faz cara de sério, restringe, o que faz de melhor suas aparições públicas.
    O PT é um caso inédito, em nossa história, de resiliência política. Protagonista, em sequencia de dois casos espetaculares de corrupção "sistêmica", envolvendo ícones da vida brasileira, como a Petrobras, o partido não se abala. Não reconhece seus delitos, ganha as eleições, não perde parlamentares, transforma apenados em heróis.
    Seus militantes, alguns já bem grisalhos, continuam firmes, mandando ver nas redes sociais. O sujeito elogia os irmãos Castro e continua certo de ser um democrata.
    Estão tão à margem da moderna sociedade envolvidos por seu arsenal de ideologias (algumas com mais de 150 anos) que há pouco vi uma entrevista com um petista do alto escalão, o qual por mais de uma vez se referiu ao genocida ditador Kim Jong-un, como um "líder moderno".
    A corrupção da esquerda é sempre política e não "pessoal". Por isso o sujeito pode ir para o xadrez, em um camburão da polícia federal, não sem antes erguer o braço, punho cerrado. E a imagem depois vira peça de campanha do partido.
    Revolucionário sem revolução, socialista sem socialismo, o PT aprendeu desde cedo a não levar muito a sério o que afirmava em seus documentos.
    Nos anos 90, os ventos da modernização econômica e da reforma do Estado sopraram mais forte e chegaram ao Brasil. O PT reagiu atirando, foi contra o Plano Real e a privatização de  empresas como a Embraer, Vale e CSN. Tremo em pensar no que teria ocorrido a todas essas empresas caso permanecessem até hoje nas mãos do governo.
    É interessante como um partido "nascido na sociedade" tenha se tornado porta-voz de uma ideologia de estado. sua pedra de toque filosofal é a permanente confusão entre o "público" e o "estatal".
    O militante típico dessa visão entoa slogans a favor da "educação  pública e gratuita". Quando você vai ver o que ele quer dizer, descobre que é só a defesa do modelo estatal de ensino e a agenda dos sindicatos da educação no setor público. A mesmíssima agenda que colocou nossos alunos no 58º lugar na última edição Pisa entre 65 países avaliados.
    No caso da saúde, o mesmo eufemismo. O militante defende "saúde pública e gratuita", mas basta raspar um pouco da tinta ideológica para descobrir que ele fala do sistema tradicional de hospitais estatais. O modelo não funciona, as filas estão cheias, os indicadores de atendimento são pífios, mas não dá nada. A classe média se protege com planos de saúde privados e colégios particulares, o governo utiliza planos de saúde privados e hospitais particulares como Sírio libanês e Albert Einstein para seus membros, sobrando aos mais pobres, que não tem escolha, o estado e suas promessas mirabolantes somadas a justificativas nem sempre "justificáveis..
    O surpreendente é que um partido que mesmo com seus dois últimos tesoureiros na cadeia por corrupção consiga eleger uma presidente da república, ao mesmo tempo não consiga entender um mundo globalizado e insista em  manter-se à margem do que poderia ser a última boia salva-vidas no oceano político.

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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Dilma Rousseff - A semelhança não é mera coincidência.

         
       Um país politicamente tenso. Parlamentares divididos entre o apoio incondicional e a revolta latente contra um governo que muitos consideram populista, corrupto, espúrio e incapaz de manter as conquistas recentes da nação. 
      Um governante que perde a popularidade entre os mais pobres, enquanto é sustentado pelos mais ricos que dele dependem. Uma população volúvel, cuja opinião flutua ao sabor do discurso do orador mais sedutor. Uma liderança despótica, desgastada e isolada no quinto ano de governo, contra quem mesmo antigos apoiadores incondicionais já conspiram nos bastidores. 
          Uma personagem que ouve apenas bajuladores, não tolera má notícia nem contestação, mas ainda resiste, em nome da república, a ceder à última tentação autoritária. Evidente de que país se trata, certo?
Se respondeu Brasil, errou... Trata-se de Roma, março de 44 a.C., últimos dias do governo de Júlio César, de Willian Shakespeare.
         Shakespeare escreveu a peça entre 1598 e 1599 com base em suas leituras dos historiadores romanos Plutarco e Suetônio, e impressiona-nos mesmo na atualidade por revelar a alma humana na sua busca trágica pelo poder a qualquer custo. A tragédia começa com aquele ingrediente indispensável à política: conspiração, tendo como personagens Marco Antônio, Octávio, Cássio e Brutus, e culmina, como todos sabemos com a morte de César.
          Mas o que torna a peça política, assim como as centúrias de Nostradamus, proféticamente atual é o momento em que Cássio, diante do cadáver de César pronuncia alguns dos versos de Shakespeare: /Quantas épocas por vir/Será esta nossa cena de novo encenada/em estados ainda não nascidos e sotaques desconhecidos?/.
        Pouco - se algo - mudou na política desde então. O sucesso de quem ambicionou o poder e hoje o detém, leva a pretensão divina, ao totalitarismo e finalmente à tragédia.
         Isso nos faz voltar ao início do artigo, e, se agora ao relermos o texto substituirmos Roma por um país tupiniquim de codinome Brasil, atualizamos Shakespeare para o século 21 sem prejuízo de conteúdo.  

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terça-feira, 30 de junho de 2015

Brasil 2015 - "Quo Vadis"? "Quo Imos"?

         
         A inércia da presidente Dilma Rousseff (PT) perante a sucessão de denúncias, muitas já confirmadas pela operação Lava-Jato, referentes a estatal Petrobras nos remete ao filme "Quo Vadis". 
           Em uma das cenas mais emblemáticas, enquanto Roma é brutalmente consumida pelo fogo, o imperador Nero observa o caos e, fora de órbita, dedilha as cordas da lira. Desconsideradas as verdades e mentiras da história controversa, guardadas as diferenças e proporções entre a Roma do século 64  d.c. e a Brasília de 2015, a analogia é válida sob o ponto de vista da análise política do atual momento brasileiro. 
             Tal qual Alice no País das Maravilhas embalando hipotético cãozinho e ouvindo o hino internacional socialista, Dilma age como se nada estivesse acontecendo - está tudo sob controle e na mais santa paz.
          Não está. O Brasil está paralisado e sob fogo - assim como Roma - ativado pela crescente indignação da sociedade contra a espoliação dos bens públicos. E a presidente reeleita está muda, recolhida a um silêncio que fala - grita - muito mais do que palavras. Nas poucas vezes em que tomou "coragem" de pronunciar-se foi um patético espetáculo misto de analfabetismo com pseudo-arrogância, regado a mais mentiras tudo sob vaias e panelaços populares. 
           Dilma parece encabulada, encurralada... perdida no pântano em que a ânsia de poder petista colocou o Brasil. O povo esperava que a senhora presidente viesse a público explicar - sem meias palavras ou discursos prévios e escritos sob encomenda - a posição do governo acerca da ladroagem na Petrobras e assemelhados. Até o presente momento nada. Nenhuma palavra. Estão e continuam calados. Quem cala consente, pode ser?
            De outra banda o presidente do PT, Rui Falcão, defende a gestão presidencial e seu partido, com urros e uivos. Garante o líder pele-vermelha que as denúncias contra ela e a companheirada envolvida são factóides. Prezado senhor Rui Falcão: o senhor sim é um factóide, sem tirar nem pôr, pela mesma banda são açúcar do mesmo saco. 
          O ex-presidente Lula faz cara de paisagem, a exemplo de Dilma que se esconde no silêncio - revelador.  Esperam o pó baixar, cientes de que tudo vai acabar em feijão com arroz  (para fugir do surrado "acabar em pizza") e já prepara sua candidatura na eleição de 2018, na intenção de colocar o trem nos trilhos - o trem deles é claro. - Enfim:  "Quo Imos"?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

DROGAS - CRACK, COCAÍNA E HEROÍNA - Uma viagem sem volta.



     O sol ia surgindo no horizonte daquela cidade. 
      Um céu avermelhado encimado por nuvens escuras dava um aspecto de "feio/bonito" ao amanhecer.
      Sobre o asfalto ainda úmido e frio estava eu estirado sem vida, pois o manto da morte me cobria por inteiro.
      Os primeiros transeuntes, chocados com meu corpo, não apenas por estar sem vida, mas pelo aspecto de uma deterioração que iniciou antes da morte, ficaram estáticos olhando a cena.
     Não me viam, somente eu os via, sentia a dor daqueles olhares de estranhos que emitiam opiniões de lástima por ter alguém chegado aquele estado de degradação.
    Enquanto o grupo se formava e dizia as coisas mais estranhas, mas verdadeiras, comecei a lembrar o quanto fui feliz antes de me entregar ao vício e ceder aos conselhos ruins de amigos (?) que mandavam provar das mais estranhas e perigosas drogas, mas que jamais, segundo eles, fariam algum mal.
    O sorriso alegre e de esperança em um futuro promissor que meus pais esboçavam a cada nota mais alta na escola, ou a um elogio de algum amigo ou professor, ecoava na minha mente sem corpo, enquanto olhava meu corpo sem mente, prostrado como se fosse um mendigo de afeto e carinho.
     Meus olhos espirituais fixaram olhos materiais sem vida e, como um espelho, refletiram dias em que festas de aniversário organizadas por minha mãe e tias identificavam um amor incondicional, enorme, e uma esperança de que seria um homem de bem e retribuiria todo o carinho ali depositado quando adulto.
     Tentei fugir, mas não consegui.
   Tentei não olhar, mas meus olhos espirituais não tinham pálpebras.
     O choro era apenas uma dor, não havia lágrimas.
    Não podia me desculpar pela dor que causara e que ainda causaria, pois, mesmo nestas condições, meus familiares e amigos chorariam as lágrimas que não possuo mais. Gritos e lamentos eu teria que ouvir e não poderia dizer nada, somente sofrer todas aquelas dores e decepções de pais que apostaram em mim.
     Vi meu corpo ser enrolado em uma lona preta e colocado em um veículo para ser levado. As pessoas ainda ficaram no local, chocadas, tristes e maldizendo todo este círculo de tráfico, distribuição e uso de drogas que permeia a sociedade como uma víbora sedenta de almas. Vi meus pais em estado de choque a recolher restos de meus trapos que sobraram junto ao corpo.
Seus olhos estavam tão sem vida quanto os meus e a dor que experimentavam era incurável e os acompanharia até seus últimos  dias. 
    Antes de desaparecer sob o manto negro da morte, li o que estava escrito no muro próximo: Drogas, nunca mais!

     Com este texto, tento mostrar a decadência provocada pelo consumo de drogas, geralmente debutado sob a "inocente" alegação:  Eu só uso socialmente, ou ainda só fumo pra relaxar um pouco... enfim pra cada caso uma desculpa.  O consumo de drogas como a cocaína,  a heroína e o crack, leva, na maioria alarmante dos casos , a morte, e essa senhora de codinome morte não é afeita a desculpas, seu preço é "a sua vida"!


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Comunistas de Araque e a Bolsa-Ditadura.





       Uma nação se faz pelo culto à sua memória e pela recuperação de sua história. Seus momentos mais sublimes são exemplos a ser seguidos, seus momentos mais sórdidos são exemplos do que não deve jamais ser repetido. Assim, novas gerações vão-se formando pela educação, pelo aprendizado de seus antepassados, pelo trabalho e esforço dos que as antecederam.
        Desta maneira, a liberdade pode ser vivida, animada e tomada como um princípio ao qual em nenhuma hipótese se deva renunciar.
      A renúncia significa escravidão. Isso implica fidelidade aos fatos, ausência de dogmatismos e, sobretudo, atitudes que não falsifiquem o que aconteceu no passado, pois esse tipo de deformação e deturpação histórica tem a função de velar posições contrárias à liberdade, abrindo caminho para novos dogmatismos, autoritarismos ou mesmo totalitarismos.
    Uma atitude "totalitária" que adote uma roupagem “democrática” contribui para que a própria democracia seja minada do seu interior, relativizando valores e exemplos.
     Há pessoas e agrupamentos políticos que, hoje, se reivindicam da “resistência à ditadura militar”, quando, na verdade, lutavam pela “ditadura do proletariado”, procurando impor, pelas armas, o totalitarismo comunista no Brasil.
    Se a palavra resistência a eles se aplica, deveria significar resistência aos que resistiram ao seu projeto totalitário.
    Em vez de fazerem sinceramente o luto de suas posições, reconhecerem os seus erros e, neste sentido, contribuírem para a história do Brasil, pretendem se colocar como verdadeiros representantes da liberdade.
    Democraticidas se travestem de libertários. O paradoxal, no entanto, é que têm conseguido fazer passar essa falsa mensagem à opinião pública, inclusive com proveitos próprios, pecuniários, nada desprezíveis, como são as polpudas indenizações por supostos atos de “resistência”.
    Além da falsificação histórica, são beneficiários de uma nova forma de “reparação histórica”: a “bolsa-ditadura”.
    Na verdade, o contribuinte brasileiro, você, eu, todos nós estamos pagando por uma das maiores empulhações da história brasileira. Os “revolucionários” perderam toda a moralidade, inclusive a moralidade da causa que diziam, e alguns ainda dizem representar.
    Em vez de afirmarem – o que é o seu próprio direito – a validade moral da causa defendida, procuram extrair proveitos do Estado brasileiro, o que significa dizer do dinheiro dos cidadãos, dos mais pobres aos mais ricos.
    Derrotados política e militarmente, procuram uma “reparação” de algo que foi produto de sua livre escolha. Se escolheram a causa do “socialismo”, do “comunismo” e da “ditadura do proletariado” são – ou deveriam ser – responsáveis por seus atos.
    Não deveriam transferir essa responsabilidade aos demais e, além disso, exigir que outros paguem por suas escolhas.
    Em vez da responsabilidade moral, o seu pleito se reduz à “bolsa-ditadura”.
    Imaginem se Lenin e Trotsky, tendo fracassado em sua tentativa de derrubar o regime czarista, viessem a pleitear, anos depois, uma “bolsa-ditadura”, resultante do seu insucesso.
    As autoridades governamentais russas deveriam pagar por não terem sido derrubadas e assassinadas!
   Pode-se estar ou não de acordo com esses revolucionários, pode-se ou não estar de acordo com as suas posições, em todo caso não se pode dizer que não fossem coerentes com seus projetos, tendo, no caso de Trotsky, dado a vida por sua causa.
    Morreu no México, com uma picareta cravada em sua cabeça, num golpe desferido por um agente de Stalin, que terminou sua vida num suave repouso na Cuba Castrista.
   Tinham dignidade moral, o que não se vê nos revolucionários brasileiros da “bolsa-ditadura”.
    O princípio de Kant, diz que tudo o que não pode ser tornado público é injusto. Desse exemplo quase já não se fala e, contudo, é ele que deveria ser ensinado nas escolas.
   Memória significa abertura às atuais gerações de todos os documentos e arquivos desse período. Devem elas aprender com o acontecido, conhecer os personagens envolvidos, num confronto com os fatos, e não com tergiversações históricas.
    Antes e durante o período em que a tortura foi aplicada, outros atos igualmente abjetos foram cometidos, como sequestros, assassinatos a sangue-frio, assaltos, bombas e mutilações feitos por grupos e pessoas que hoje, em nome desses seus atos (heróicos???), usufruem a “bolsa-ditadura”.
    Torturadores, assassinos e assaltantes devem aparecer e emergir dos arquivos que não foram ainda tornados públicos.
    Há mais de meio século começou o regime militar. Nada justifica que os cidadãos brasileiros não tenham amplo acesso a esse período de sua história.
   Todos devem conhecer em nome "do que" lutavam os diferentes contendores, devem aprender os diferentes significados da palavra resistência, devem fortalecer suas convicções de que, fora da liberdade e da democracia, não há sociedade que dignifique o homem.


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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Retalhos de uma vida.

 


      Aprendi que Amores eternos podem acabar em uma noite.
      Que grandes amigos podem se tornar grandes inimigos.
      Que o amor sozinho não tem a força que imaginei.
      Que ouvir os outros é o melhor remédio e o pior veneno,
    Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal, gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.
      Que os poucos amigos que te apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que te empurram.
      Que o "nunca mais" nunca se cumpre, que o "para sempre" sempre acaba.
      Que minha família com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.
      Que ainda não inventaram nada melhor do que colo de Mãe desde que o mundo é mundo.
      Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
      Que vou cair e levantar milhões de vezes, e ainda não vou ter aprendido TUDO."
      Estamos aqui de passagem........

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Ficha limpa - Ficha suja...qual a diferênça mesmo?

   

           Estava, aqui com meus botões, lembrando de uma manchete que li em um jornal da capital e que trazia como título: Paulo Maluf é inocente. Como? Quando? O que aconteceu enquanto dormíamos? 
            Pois é meus irmãos e irmãs, pasmem mas a ficha do deputado Paulo Maluf foi oficialmente declarada limpa pelo superior tribunal federal em dezembro de 2014, ao apagar das luzes, sem fanfarra nem festanças. 
           Na moita mesmo, como quem rouba, dá o tapa e esconde a mão. É muita cara de pau pra não dizer sem-vergonhice. Vamos considerar um "Acinte", palavra que quer dizer provocação deliberada. 
              O que o TSE fez, garantindo o mandato do deputado, que não pode sequer sair do país sob pena de ser preso por leis internacionais, alicerçadas em sua vida corrupta recheada de escândalos - comprovados - e maracutaias, foi um acinte. 
              Mas não foi um Acinte completo. Para completa-lo, poderiam ter publicado na imprensa nacional e internacional um aclame sobre a ficha "limpíssima" ou exemplarmente limpa, e até mesmo explicar suas muitas manchas tipo: Esta aqui? Cocô de passarinho. Essa outra? Oh apenas pingo de café. Essa aqui? foi posta pela oposição raivosa... 
            Acinte é um escárnio para com as pessoas que trabalham todos os dias, cumprem suas obrigações, olham para seus filhos com a cabeça erguida e cumprimentam as pessoas olhando em seus olhos. Será que os senhores do TSE podem fazer o mesmo?

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A Corrupção e seus atletas.




            A seleção brasileira de futebol é penta campeã mundial, ou seja, significa que ela ganhou a copa do mundo Fifa 5 vezes, que foram nos anos de: 1958, 1962, 1970, 1994, 2002.  Penta campeões...  Ehhhhh...., mas porque diabos eu estou sempre esperando o Tri? 
         Vocês eu não sei, mas podem acreditar que muito tempo me custou para finalmente entender a que se referiam os repórteres e apresentadores de telejornais, em sua linguagem indecifrável, sobre escândalos no Brasil desde os anões do orçamento, até mensalões e petrolões. 
              Ah, então ungido por uma luz celestial finalmente entendi: "mil", significa mil mesmo e ponto final, mas "mi" é milhão e "bi" é bilhão. Como nosso Brasil amado e idolatrado é campeão de tudo, estão todos inclusive eu, esperando o "Tri" de Trilhão. 
              Imaginem o sucesso de público e de audiência na estreia do "tri". Vai ser um marco, uma conquista única na história da corrupção neste país, para admiração do mundo. Pensem bem senhores e senhoras em como estamos perto, graças ao esforço coletivo de nossos governantes, de alcançar essa marca única.
          Nenhuma propina, nenhuma conta na suíça, nenhum desvio de dinheiro público ou mesmo superfaturamento feito até agora ultrapassou a casa dos "bi". 
            Então, enquanto não surge o esperado "tri" nos jornais, nas investigações do MP ou da Polícia Federal, ficaremos em permanente suspense. Quando será? Vamos lá, corruptos. Só mais um esforço. Pela Pátria!  Lê- Leleô - Leleô - Leleô... Brasil.

sábado, 28 de março de 2015

Corrupção e a arte do aparelhamento estatal.

  

                Vou pra Pasárgada, lá sou amigo do Rei. Essa assertiva lembra-nos de forma sempre atual a engenhosa artimanha perpetrada pelo governo, ao longo de seus 12 anos no comando da nação, com o objetivo de alcançar a nefasta perpetuação no poder. 
                "Sou amigo do Rei" em tempos modernos nada mais é do que uma "companheirada". 
               Lentamente foram sendo preenchidos cargos de alto escalão com amigos do Rei, tudo minuciosamente planejado e executado com divina perfeição de forma que quando a corrupção e os desmandos chegassem a um ponto de não mais poderem ser encobertos, o Rei - ou a Rainha - estaria livres de perseguição ou condenação, protegidos pelos "amigos de Rei". 
                  Resta a pergunta: Onde estão esses amigos do Rei?  
             Bem, ao que se sabe no congresso nacional,  em todos os ministérios, na outrora altiva e independente OAB, no Supremo tribunal federal, e principalmente, - talvez o mais importante - no Superior Tribunal Eleitoral. 
                 Mas talvez o fato mais interessante ocorrendo hoje no Brasil seja o modo como a corrupção está destruindo nossas instituições mais sólidas, e os envolvidos pertencem todos a mesma classe política. Já vimos de tudo nesse país das maravilhas: anões do orçamento, máfia das ambulâncias, mensalão, petrolão, alguns afirmam que o BNDES vai ser a próxima bomba, enfim... 
                Como os envolvidos se elegem e reelegem facilmente, fica muito claro que o agente corruptor é o governo que leiloa cargos em troca de votos no congresso, apoios para seus desmandos e cumplicidades em suas tramoias, e, é claro, gerencia com mão de ferro o jogo do Toma lá - Dá cá. 
              Mas e a parcela do povo que vende seu voto pode reclamar, se também faz parte do jogo?  As vezes fico a me perguntar porque ainda votamos? E porque o voto ainda é obrigatório?

Texto: AnalfaBlog
Comentários: analfaBlog

terça-feira, 24 de março de 2015

Governo Brasileiro: Crise de credibilidade ou liderânça?

         Estava a conversar com amigos quando dei-me conta de algo recorrente nas rodas de assuntos e na mente das pessoas, a insatisfação com os rumos da política brasileira.
          Ao observar os dias atuais em que estamos vivendo, percebemos a imensa rejeição sofrida pelo atual governo por conta de escândalos, corrupção e tramoias levadas à público pela imprensa e redes sociais. 
       Coisas do tipo já ocorreram no passado, mas a dimensão alcançada nunca foi tão alarmante, e é cedo para saber como serão os desdobramentos sociais e políticos para a sustentação do atual governo.
           A despeito de sua eleição para uma função de tamanha relevância estava ali, diante de todos, uma figura pública polêmica, recheada de promessas dúbias e dona de uma arrogância ímpar e uma prepotência ainda maior, a olhar e se dirigir ao povo como se todos inferiores, pelo menos em sua concepção, fossem.
           Não é, longe de mim, pensar em denegrir a imagem da principal mandatária do país, mas os fatos falam por si.
          Estamos vivendo antes de tudo, uma crise de credibilidade e liderança. Liderar não tem nada a ver com arrogância e empáfia, mas muitos ainda acreditam que sem pose e ostentação não se conquista o respeito dos outros. Um lastimável engano. Pode-se no máximo conseguir subserviência através de atitudes arrogantes, mas respeito é um valor muito mais profundo e que só se cativa com "honestidade" - e se formos honestos, de fato honestos, teremos que admitir que nossa importância é a mesma que a de qualquer outra pessoa. Podemos ter vivido mais, lido mais, aprendido ensinamentos que alguns não tiveram acesso, mas de forma nenhuma isso justifica uma hierarquia dominadora.
              Numa relação vertical o superior ordena e os "inferiores" cumprem e assim elimina-se a troca, que é o elemento fundamental para a evolução dos costumes, dos relacionamentos e até de uma nação. Trocar é horizontal. É o que possibilita o olhar, o diálogo e a identificação. No momento em que eu contribuo para a sociedade com o que sei e aceito que colaborem comigo na mesma medida, ensinando-me o que não sei, estabelece-se uma relação producente e o respeito mais absoluto, aquele que não é fruto de uma imposição mas de uma admiração sincera.
             Esse talvez seja o calcanhar de Aquiles do sistema comunista de governar onde o governo tudo pode e ordena, como o grande e todo poderoso pai, e o povo submete-se como filho incapaz ou "legalmente" incapacitado.

Comentários: AnalfaBlog.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Brasil, país rico é país sem miséria... mas e a liberdade?



            Brasil, país de muitas raças e muitas cores, de muitos mandos e  desmandos e também muitas leis, tendo essas entre seus atributos a função de dar-nos Segurança e Liberdade.
      Mas cá entre nós liberdade num país como o nosso, nos dias de hoje, com os governantes que elegemos, é uma utopia, um sonho, um privilégio de poucos e martírio de muitos.
          Não há liberdade onde a fome anda de braços e abraços com a miséria, não há liberdade onde a saúde e a educação inexistem, 
       Não há liberdade sem segurança pública, onde a droga reina soberana transformando gente em bicho, e não há liberdade onde coexistem sem regras, exploradores e explorados, ricos e pobres, sábios e ignorantes.
        Não há liberdade na desigualdade social, no desrespeito a natureza e as reais necessidades de um povo, não há liberdade no preconceito e na discriminação, assim como não há liberdade onde os governantes estão a serviço do capital e do lucro, onde o trabalho oferecido ao povo escraviza, os salários são aviltantes, e o subemprego abunda. 
           Mas há liberdade há onde a imprensa é livre, imparcial, fiel a verdade dos fatos e não se rende a pressão do poder de plantão. 
     A liberdade esta na igualdade, na justiça social, no reconhecimento de que todos são seres humanos.
           Sem esforço algum, a constatação salta aos olhos: não há liberdade no Brasil.
      O brasileiro nos dias atuais é um ser perdido em meio a direitistas e esquerdistas, corruptos e acusadores, socialistas e sociopatas, enfim um samba do crioulo doido.
       Uma das coisas de que estou quase certo é que o brasileiro não tem certeza de coisa alguma, não sabe se dança ou cai da corda bamba, se é bêbado ou equilibrista, se assobia ou chupa o hino nacional, se dá ou desce.
          Ainda bem que alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Terrorismo e Religião.


         


          É inevitável, após o incidente com o jornal satírico francês Charlie Hebdo não recordar os terríveis acontecimentos do dia 11 de setembro assim como refletir sobre suas causas e consequências. 
          A natureza, indomável com seus tornados, terremotos, tsunamis e vulcões não cria nem destrói, ela transforma, são os homens que criam e destroem. 
              O evento de 11 de setembro, quando dois símbolos da supremacia financeira e militar norte-americana foram alvos de ataques terroristas, me pareceu uma cruel inversão das cruzadas da idade média, quando então os cristãos marchavam da Europa ate Jerusalém para "liberta-la" do domínio islâmico. Os, na época, "Soldados de Cristo" mataram todos os judeus e muçulmanos que encontraram pela frente, em massacres indescritíveis e abomináveis. E isso em nome de sua religião, de sua profunda crença de que suas ações homicidas eram totalmente justificadas pelo seu objetivo último, a busca pela redenção no dia do juízo final. 
            Para os participantes das cruzadas, não havia uma distinção entre a realidade e a fantasia. Suas vidas eram parte do grande drama apocalíptico, que pregava que seu martírio e heroísmo seriam consagrados por toda a eternidade no "paraíso",
        O mesmo tipo de extremismo religioso leva os terroristas islâmicos a se suicidarem contra alvos inimigos e matarem milhares de pessoas. A guerra deles, o Jihad, é uma guerra tão santa quanto foram as cruzadas para os católicos da Europa medieval, e igualmente assassina e covarde. 
        A violência abominável desse ultimo evento nos mostra como de fato mudamos pouco nos últimos mil anos. Se antes usávamos lanças, flechas e espadas para matar, hoje usamos aviões, armas e bombas mas o fim e o mesmo.
      Nossa imaturidade como espécie jamais foi tão flagrante como agora. Mil anos de "evolução" não foram capazes de amenizar o extremismo religioso que dita o comportamento de tantos indivíduos, incluindo aqueles que optam por matar em nome de sua crença.


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