O PT é, de longe, o maior caso de sucesso na história partidária
brasileira permanecendo por 16 anos a frente do governo federal,
considerando que a atual presidente consiga encerrar seu mandato.
Sucesso que deriva em primeiro lugar, de seus próprios méritos, por ser
uma sigla com a mais aguerrida militância e um líder cujo senso
estratégico e carisma não encontra igual na política brasileira. Em
segundo lugar, pura sorte.
O partido governou o país na
época de ouro das matérias primas exportáveis e navegou na esteira da
bem sucedida estabilização econômica dos anos 90, conquistas herdadas do
governo FHC que o precedeu.
Hoje a economia parou, a miséria
voltou a crescer, a corrupção não sai das manchetes e nossa maior
empresa pública está na lona. Para qualquer partido, seria o fim. Não
para o PT.
A frase mais ouvida, por esses dias, é que o
partido deve "voltar as origens". Volta e meia, esse discurso aparece.
Lula faz cara de sério, restringe, o que faz de melhor suas aparições
públicas.
O PT é um caso inédito, em nossa história, de
resiliência política. Protagonista, em sequencia de dois casos
espetaculares de corrupção "sistêmica", envolvendo ícones da vida
brasileira, como a Petrobras, o partido não se abala. Não reconhece seus
delitos, ganha as eleições, não perde parlamentares, transforma
apenados em heróis.
Seus militantes, alguns já bem grisalhos,
continuam firmes, mandando ver nas redes sociais. O sujeito elogia os
irmãos Castro e continua certo de ser um democrata.
Estão tão
à margem da moderna sociedade envolvidos por seu arsenal de ideologias
(algumas com mais de 150 anos) que há pouco vi uma entrevista com um
petista do alto escalão, o qual por mais de uma vez se referiu ao
genocida ditador Kim Jong-un, como um "líder moderno".
A
corrupção da esquerda é sempre política e não "pessoal". Por isso o
sujeito pode ir para o xadrez, em um camburão da polícia federal, não
sem antes erguer o braço, punho cerrado. E a imagem depois vira peça de
campanha do partido.
Revolucionário sem revolução, socialista
sem socialismo, o PT aprendeu desde cedo a não levar muito a sério o que
afirmava em seus documentos.
Nos anos 90, os ventos da
modernização econômica e da reforma do Estado sopraram mais forte e
chegaram ao Brasil. O PT reagiu atirando, foi contra o Plano Real e a
privatização de empresas como a Embraer, Vale e CSN. Tremo em pensar no
que teria ocorrido a todas essas empresas caso permanecessem até hoje
nas mãos do governo.
É interessante como um partido "nascido
na sociedade" tenha se tornado porta-voz de uma ideologia de estado. sua
pedra de toque filosofal é a permanente confusão entre o "público" e o
"estatal".
O militante típico dessa visão entoa slogans a
favor da "educação pública e gratuita". Quando você vai ver o que ele
quer dizer, descobre que é só a defesa do modelo estatal de ensino e a
agenda dos sindicatos da educação no setor público. A mesmíssima agenda
que colocou nossos alunos no 58º lugar na última edição Pisa entre 65
países avaliados.
No caso da saúde, o mesmo eufemismo. O
militante defende "saúde pública e gratuita", mas basta raspar um pouco
da tinta ideológica para descobrir que ele fala do sistema tradicional
de hospitais estatais. O modelo não funciona, as filas estão cheias, os
indicadores de atendimento são pífios, mas não dá nada. A classe média
se protege com planos de saúde privados e colégios particulares, o
governo utiliza planos de saúde privados e hospitais particulares como
Sírio libanês e Albert Einstein para seus membros, sobrando aos mais
pobres, que não tem escolha, o estado e suas promessas mirabolantes
somadas a justificativas nem sempre "justificáveis..
O
surpreendente é que um partido que mesmo com seus dois últimos
tesoureiros na cadeia por corrupção consiga eleger uma presidente da
república, ao mesmo tempo não consiga entender um mundo globalizado e
insista em manter-se à margem do que poderia ser a última boia
salva-vidas no oceano político.
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