quinta-feira, 13 de agosto de 2015

PT - Um partido e suas contradições.

        O PT é, de longe, o maior caso de sucesso na história partidária brasileira permanecendo por 16 anos a frente do governo federal, considerando que a atual presidente consiga encerrar seu mandato.
        Sucesso que deriva em primeiro lugar, de seus próprios méritos, por ser uma sigla com a mais aguerrida militância e um líder cujo senso estratégico e carisma não encontra igual na política brasileira. Em segundo lugar, pura sorte.
       O partido governou o país na época de ouro das matérias primas exportáveis e navegou na esteira da bem sucedida estabilização econômica dos anos 90, conquistas herdadas do governo FHC que o precedeu.
    Hoje a economia parou, a miséria voltou a crescer, a corrupção não sai das manchetes e nossa maior empresa pública está na lona. Para qualquer partido, seria o fim. Não para o PT.
    A frase mais ouvida, por esses dias, é que o partido deve "voltar as origens". Volta e meia, esse discurso aparece. Lula faz cara de sério, restringe, o que faz de melhor suas aparições públicas.
    O PT é um caso inédito, em nossa história, de resiliência política. Protagonista, em sequencia de dois casos espetaculares de corrupção "sistêmica", envolvendo ícones da vida brasileira, como a Petrobras, o partido não se abala. Não reconhece seus delitos, ganha as eleições, não perde parlamentares, transforma apenados em heróis.
    Seus militantes, alguns já bem grisalhos, continuam firmes, mandando ver nas redes sociais. O sujeito elogia os irmãos Castro e continua certo de ser um democrata.
    Estão tão à margem da moderna sociedade envolvidos por seu arsenal de ideologias (algumas com mais de 150 anos) que há pouco vi uma entrevista com um petista do alto escalão, o qual por mais de uma vez se referiu ao genocida ditador Kim Jong-un, como um "líder moderno".
    A corrupção da esquerda é sempre política e não "pessoal". Por isso o sujeito pode ir para o xadrez, em um camburão da polícia federal, não sem antes erguer o braço, punho cerrado. E a imagem depois vira peça de campanha do partido.
    Revolucionário sem revolução, socialista sem socialismo, o PT aprendeu desde cedo a não levar muito a sério o que afirmava em seus documentos.
    Nos anos 90, os ventos da modernização econômica e da reforma do Estado sopraram mais forte e chegaram ao Brasil. O PT reagiu atirando, foi contra o Plano Real e a privatização de  empresas como a Embraer, Vale e CSN. Tremo em pensar no que teria ocorrido a todas essas empresas caso permanecessem até hoje nas mãos do governo.
    É interessante como um partido "nascido na sociedade" tenha se tornado porta-voz de uma ideologia de estado. sua pedra de toque filosofal é a permanente confusão entre o "público" e o "estatal".
    O militante típico dessa visão entoa slogans a favor da "educação  pública e gratuita". Quando você vai ver o que ele quer dizer, descobre que é só a defesa do modelo estatal de ensino e a agenda dos sindicatos da educação no setor público. A mesmíssima agenda que colocou nossos alunos no 58º lugar na última edição Pisa entre 65 países avaliados.
    No caso da saúde, o mesmo eufemismo. O militante defende "saúde pública e gratuita", mas basta raspar um pouco da tinta ideológica para descobrir que ele fala do sistema tradicional de hospitais estatais. O modelo não funciona, as filas estão cheias, os indicadores de atendimento são pífios, mas não dá nada. A classe média se protege com planos de saúde privados e colégios particulares, o governo utiliza planos de saúde privados e hospitais particulares como Sírio libanês e Albert Einstein para seus membros, sobrando aos mais pobres, que não tem escolha, o estado e suas promessas mirabolantes somadas a justificativas nem sempre "justificáveis..
    O surpreendente é que um partido que mesmo com seus dois últimos tesoureiros na cadeia por corrupção consiga eleger uma presidente da república, ao mesmo tempo não consiga entender um mundo globalizado e insista em  manter-se à margem do que poderia ser a última boia salva-vidas no oceano político.

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