A Violência do Medo.
Ontem estava eu, como de costume, repassando alguns artigos quando dei de olhos na reportagem do jornal O Globo de algum tempo atrás, a respeito do sequestro do jogador Valdívia e sua esposa no estacionamento de um shoppping paulista, em que foram levados a rodar por São Paulo por três horas culminando com abuso sexual da mulher pelos bandidos.
Imediatamente, ao terminar de ler, veio uma sensação de abandono, de descaso total pelo Estado que em última análise deveria fornecer amparo e proteção.
Vejo-me desamparado pelo Estado, mas, ao mesmo tempo sinto-me vigiado por Ele.
O Estado sabe tudo de mim, sobre mim, e minha vida e age com muita presteza quando não me comporto como Ele espera.
Se não declarar meu Imposto de Renda, o Estado vai me multar, se eu cortar a frondosa árvore no fundo do meu quintal, o Estado (Ibama) vai me autuar, se atrasar o Ipva, o Estado recolherá meu carro e me multará, se eu for um empresário e não recolher todas as (absurdas) taxas, guias e contribuições, posso ter minha empresa interditada e tome mais multa, tudo com uma agilidade impressionante.
Hoje encontram-se câmeras por todas as ruas, fiscais por todo lado, mas não se iludam eles não vigiam quem está fora da lei, eles vigiam quem está na lei.
O Estado me pune, me multa, me ameaça, mas não me protege de quem assalta, mata, rouba, estupra, sequestra.
A Senhora de 87 anos, totalmente desprotegida pelo Estado, teve de empunhar uma arma e no mais puro desespero exerceu uma função que é competência exclusiva do Estado: Proteger sua vida dentro do que deveria ser inviolável, seu local mais sagrado, seu maior refúgio: Sua própria casa.
Ela não saiu com uma arma para rua, não transitava armada em via pública, não cogitava assaltar um passante ou sequestrar alguem, somente possuía uma arma por se saber só e indefesa.
Aí o Estado, agilíssimo, cogita de prosessar a senhora por homicídio e porte ilegal de arma.
Esse Estado é incompetente, desatento e inútil no dever de cuidar de uma senhora de 87 anos, e como num passe de mágica torna-se ágil e eficaz para puni-la.
Quando em épocas como a de agora, em pleno período eleitoral, políticos profissionais vão a programas de radio e televisão, com promessas de circo mambembe de mudanças, "a cidade com a sua cara", "Vamos construir juntos..." "Vou acabar com a violência...." fico a me perguntar se onde eles arranjam cara de pau não vendem ouvidos de latão.
Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog
Ontem estava eu, como de costume, repassando alguns artigos quando dei de olhos na reportagem do jornal O Globo de algum tempo atrás, a respeito do sequestro do jogador Valdívia e sua esposa no estacionamento de um shoppping paulista, em que foram levados a rodar por São Paulo por três horas culminando com abuso sexual da mulher pelos bandidos.
Imediatamente, ao terminar de ler, veio uma sensação de abandono, de descaso total pelo Estado que em última análise deveria fornecer amparo e proteção.
Vejo-me desamparado pelo Estado, mas, ao mesmo tempo sinto-me vigiado por Ele.
O Estado sabe tudo de mim, sobre mim, e minha vida e age com muita presteza quando não me comporto como Ele espera.
Se não declarar meu Imposto de Renda, o Estado vai me multar, se eu cortar a frondosa árvore no fundo do meu quintal, o Estado (Ibama) vai me autuar, se atrasar o Ipva, o Estado recolherá meu carro e me multará, se eu for um empresário e não recolher todas as (absurdas) taxas, guias e contribuições, posso ter minha empresa interditada e tome mais multa, tudo com uma agilidade impressionante.
Hoje encontram-se câmeras por todas as ruas, fiscais por todo lado, mas não se iludam eles não vigiam quem está fora da lei, eles vigiam quem está na lei.
O Estado me pune, me multa, me ameaça, mas não me protege de quem assalta, mata, rouba, estupra, sequestra.
A Senhora de 87 anos, totalmente desprotegida pelo Estado, teve de empunhar uma arma e no mais puro desespero exerceu uma função que é competência exclusiva do Estado: Proteger sua vida dentro do que deveria ser inviolável, seu local mais sagrado, seu maior refúgio: Sua própria casa.
Ela não saiu com uma arma para rua, não transitava armada em via pública, não cogitava assaltar um passante ou sequestrar alguem, somente possuía uma arma por se saber só e indefesa.
Aí o Estado, agilíssimo, cogita de prosessar a senhora por homicídio e porte ilegal de arma.
Esse Estado é incompetente, desatento e inútil no dever de cuidar de uma senhora de 87 anos, e como num passe de mágica torna-se ágil e eficaz para puni-la.
Quando em épocas como a de agora, em pleno período eleitoral, políticos profissionais vão a programas de radio e televisão, com promessas de circo mambembe de mudanças, "a cidade com a sua cara", "Vamos construir juntos..." "Vou acabar com a violência...." fico a me perguntar se onde eles arranjam cara de pau não vendem ouvidos de latão.
Texto: AnalfaBlog
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