Esse é um ensaio sobre: A Prepotência e a arrogância dos homens - ou um tributo a leviandade do pensar.
Um vírus é por demais pequeno para ser visualizado em um microscópio
comum, e há mais organismos vivos, vírus, bactérias etc... morando na
pele de um ser humano do que gente no planeta.
Cerca de quatro mil desses organismos estão apinhados em cada
centímetro de pele dos braços, sendo que nas axilas o número pode chegar
a casa dos dois milhões.
Mas vamos ao que interessa...
Sônia Vírus estava sentada em seu vale de poros, pensando em todos os
problemas que afligem seu mundo tendo ao lado sua melhor amiga Claudete
Vírus, que repentinamente desabafa:
- Ah, estou com um terrível dilema na cabeça! As crianças perguntaram
sobre vida em outros mundos e eu fiquei em dúvida sobre o que falar.
- Sônia prontamente dispara: Bem, basta faze-los ver as estatísticas
vitais que possuímos, que são se não me falha a memória mais ou menos 25
nano-milímetros, ou a perfeição com que fomos gerados, ou então o
maravilhoso sistema de vida em nosso mundo, para depois perguntar se
podem conceber no universo raça maior ou mais perfeita. E aí dê o
assunto por encerrado, ora vida em outros mundos... Bah.
O mundo em que viviam era um lugar muito esquisito, em que todos os
habitantes residiam em vales de poros (pequenas cavernas no solo) e que
dependendo do local geográfico podiam possuir pilastras imensas
originadas do centro dos poros e que se entrelaçavam entre si no alto em
suas pontas.
Alguns
grupos de vírus conseguiram escalar essa massa de pilares e olhar para o
espaço exterior acima da superfície em que moravam.
Era realmente notável a imensidão inexplicável do universo de pelos ou
pilares repetindo-se até o infinito revelado pelo alcance óptico de um
vírus.
Sônia Vírus e
sua amiga estavam sentadas em um dos vales de poros, numa região que
raramente era coberta de pelos, ou pilares como eram chamados e de onde
podiam olhar para os céus, e Claudete perguntou olhando para cima:
- Muitas vezes fico pensando, Sônia, existem ou não outros mundos além do nosso?
Ouviu-se então uma nova voz, um senhor vírus chamado Aragon, nascido de
uma cultura de Uganda, ou pelo menos era isso que constava na memória
genética de seus antepassados, que disse:
- Tolice Sônia, tolice, você sabe perfeitamente que há milhares de
mundos no universo dos poros e acima deles. Já não os vimos à distância
as vezes? Mas não sabemos se possuem vida inteligente sobre a
superfície, sabemos?
- Uma quarta voz se fez ouvir:
- Bem, eu acho que nosso mundo foi feito especialmente para nós. Não
existe nenhum outro mundo com uma vida como a nossa. Sinceramente creio
que o mundo inteiro foi feito por Deus para nós vírus, que afinal fomos
criados a sua imagem e semelhança, ou não?
Pensem bem, vocês conhecem outra forma de vida que se compare com a
nossa, outra inteligência semelhante? E os vales em que vivemos, como
foram criados? por quem? para quem?
Somos a forma de vida mais evoluída e dominante do universo.
Quem falava era Rudi Gama, um tipo de sujeito erudito, viajado e
respeitado, afinal tinha ido, certa vez, até o vale de poros vizinho de
modo que sua opinião era sempre ouvida com respeito.
- Ah, isso tudo é pensamento burguês, o que vale mesmo é a autoridade e
a liderança, disse com convicção Nestor, um vírus com tendências
esquerdistas latentes. Deus não existe, vida em outros mundos não
existe, é tudo uma enganação barata.
- É falou Sonia, não sei, talvez você tenha razão, já rezei muito e nunca tive resposta as minhas preces, e vocês?
Os outros ficaram ali sentados, calados, refletindo, imersos em seus pensamentos.... então veio a catástrofe.
Do espaço exterior veio uma coisa imensa, creio que era um OVNI ou
coisa pior, cortando e ceifando com velocidade espantosa, as pilastras
ou pelos dos poros, raspando e destruindo tudo enquanto Sônia gritava
"Valha-me Deus" !
Então, um dilúvio ardente caiu sobre eles e de repente, Sônia, Claudete,
Aragon, Rudi Gama, e Nestor Vírus deixaram de existir quando o mundo
chamado humano passou uma loção após barba no rosto!
Comentários: AnalfaBlog

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