
Brasil, eterno "país do futuro", encontra-se hoje envolto em um manto escuro e espesso de uma crise social, econômica e política sem precedentes, da qual não se vislumbra saída, ao menos a curto prazo.
Suas instituições, arduamente reerguidas após a saída dos militares do poder, encontram-se amordaçadas por um aparelhamento ardilosamente calculado e milimetricamente executado, com a finalidade única de tomada do poder por aqueles que antes se autodenominavam "heróis da democracia".
Nosso congresso está engessado, inoperante pela ação nefasta de políticos de caráter duvidoso e a proliferação de legendas de aluguel, onde os bons políticos, raras exceções, bradam do alto das tribunas suas denúncias e protocolam seus projetos de moralização da coisa pública, lutando - como Quixotes tupiniquins - contra uma esmagadora força da turma do "toma lá, da cá", que por sua vez conduz pautas assustadoramente criminosas a acordos e conchavos, onde todos lucram menos a população.
Hoje com as comunicações globalizadas chegando até nós em segundos, revelou-se impossível a manutenção de segredos e negociatas ocultas, criando espaço em cena para outra figura: O traidor, personagem do mesmo teatro criminoso, que para livrar sua pele, abre o jogo sem nenhum pudor.
Como sabiamente nos ensinava o saudoso Ulisses Guimarães: "O mau das conversas supostamente secretas é que sempre haverá no mínimo três versões: a sua, a do outro e a verdadeira".
O país tornou-se em pouco mais de doze anos uma fértil incubadora de corrupção, onde o bem público mistura-se com o privado em uma dança macabra e bilionária, expropriando os cofres da nação em uma sangria interminável.
A corrupção é o cupim da república. Um país tomado pela corrupção impune, tomba nas mãos de demagogos, que, a pretexto de salva-lo, o tiranizam.
Não roubar, não deixar roubar, por na cadeia quem roube. Eis o primeiro mandamento da moral pública e política.
Não é muito mas com certeza será um bom começo.
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