É manhã de quase primavera e realmente parece que o dia promete
ser lindo, um ímpar presente da natureza para quem decide ir caminhando
para o trabalho.
Andava em direção ao centro da cidade, conjecturando sobre as últimas noticias do pedaço de mundo chamado Brasil. Quais as regras que irão reger as próximas campanhas políticas? Irá se sustentar a fidelidade partidária? E o foro privilegiado para autoridades políticas? A presidente cai ou não?
De repente ao virar em uma esquina deparei-me com uma triste cena: duas crianças pequenas, dormiam sobre jornais debaixo da marquise de um magazine, cobertas com papelões e trapos como único abrigo contra a noite anterior, que se bem me lembro, chovia muito quando fui deitar por volta das 11:00 da noite.
Ainda pasmo e triste com a cena, sigo na caminhada pela manhã agora já não tão linda.
Retomo meus pensamentos para a atual situação política do país e recordo as recentes maracutaias e negociatas nos escabrosos corredores do planalto!
Passo através da praça central e ao sair do outro lado, vejo um casal, com uma criança de colo, buscando em uma lixeira pública o que seria a primeira refeição do dia.
Descortinou-se então uma visão do cotidiano em sua face mais cruel.
O dia continuava lindo, mas as nuvens da miséria patrocinada pela corrupção insistiam em pinta-lo de cinza e cobriam tudo com a névoa rubra que só o desencanto é capaz de produzir.
CPIs, promessas de campanhas, desvio de verbas para enriquecimento pessoal, mensalão e mensaleiros, petrolão e seus canalhas, líderes que bradavam ética e honestidade e ora desnudos mostravam-se sujos como breu, outros quando em campanha tudo criticavam agora após eleitos nada sabem e nada veem, filas intermináveis em pronto-socorros e muitas outras sandices começaram a perturbar meus pensamentos e poluir a visão do dia que se iniciava, cobrindo de horror minha mente.
Senti-me réu em assumida culpa por omissão!
Como pude ver isso todos os dias e ainda assim não ver? O que houve com meu senso de justiça? O que me tornei? Onde em minha caminhada pela vida adentrei nesse caminho? Quando me tornei conivente e cúmplice dessas barbáries?
Na verdade eu sempre soube as respostas, apenas me recusava firmemente a assumir minha parte na culpa.
Eu sabia por exemplo, que quando permiti que a propaganda eleitoral (na verdade eleitoreira) entrasse em minha casa, com seus chavões e imagens criadas com todo zelo por marqueteiros profissionais, e me seduzisse com suas promessas e ilusões, tornei-me cúmplice das safadezas que estariam por vir.
Bastaria apenas desligar a TV no horário eleitoral, e procurar por mim mesmo aquele a quem meu voto iria ajudar a eleger-se.
Não, claro que não, é muito mais fácil e cômodo fazer a escolha pelo que nos mostram como "verdade" sobre as intenções dos políticos.
E então, com nossa total permissão, na tela, finalmente descortina-se diante de nossos olhos a solução de todas as mazelas.
Tchan-tchan... Ele, "o candidato".
Impecável, bem falante, quase sempre cercado de crianças sorridentes e felizes, e uma cuidadosa partitura musical de fundo a emoldura-lo em seu melhor sorriso.
Então, pra finalizar o tempo disponível no horário eleitoral com chave de ouro: "O jingle da campanha"!
Sou apenas mais um brasileiro descontente com a nossa política, mas o olhar daquela criança comendo lixo com seus pais vou reter com cuidado na memória, e será esse olhar que levarei para a cabine de votação nas próximas eleições.
Vou, a partir de agora, fazer toda a força possível para jamais esquecer, que todos nós comemos os "frutos" de nossas escolhas!
Andava em direção ao centro da cidade, conjecturando sobre as últimas noticias do pedaço de mundo chamado Brasil. Quais as regras que irão reger as próximas campanhas políticas? Irá se sustentar a fidelidade partidária? E o foro privilegiado para autoridades políticas? A presidente cai ou não?
De repente ao virar em uma esquina deparei-me com uma triste cena: duas crianças pequenas, dormiam sobre jornais debaixo da marquise de um magazine, cobertas com papelões e trapos como único abrigo contra a noite anterior, que se bem me lembro, chovia muito quando fui deitar por volta das 11:00 da noite.
Ainda pasmo e triste com a cena, sigo na caminhada pela manhã agora já não tão linda.
Retomo meus pensamentos para a atual situação política do país e recordo as recentes maracutaias e negociatas nos escabrosos corredores do planalto!
Passo através da praça central e ao sair do outro lado, vejo um casal, com uma criança de colo, buscando em uma lixeira pública o que seria a primeira refeição do dia.
Descortinou-se então uma visão do cotidiano em sua face mais cruel.
O dia continuava lindo, mas as nuvens da miséria patrocinada pela corrupção insistiam em pinta-lo de cinza e cobriam tudo com a névoa rubra que só o desencanto é capaz de produzir.
CPIs, promessas de campanhas, desvio de verbas para enriquecimento pessoal, mensalão e mensaleiros, petrolão e seus canalhas, líderes que bradavam ética e honestidade e ora desnudos mostravam-se sujos como breu, outros quando em campanha tudo criticavam agora após eleitos nada sabem e nada veem, filas intermináveis em pronto-socorros e muitas outras sandices começaram a perturbar meus pensamentos e poluir a visão do dia que se iniciava, cobrindo de horror minha mente.
Senti-me réu em assumida culpa por omissão!
Como pude ver isso todos os dias e ainda assim não ver? O que houve com meu senso de justiça? O que me tornei? Onde em minha caminhada pela vida adentrei nesse caminho? Quando me tornei conivente e cúmplice dessas barbáries?
Na verdade eu sempre soube as respostas, apenas me recusava firmemente a assumir minha parte na culpa.
Eu sabia por exemplo, que quando permiti que a propaganda eleitoral (na verdade eleitoreira) entrasse em minha casa, com seus chavões e imagens criadas com todo zelo por marqueteiros profissionais, e me seduzisse com suas promessas e ilusões, tornei-me cúmplice das safadezas que estariam por vir.
Bastaria apenas desligar a TV no horário eleitoral, e procurar por mim mesmo aquele a quem meu voto iria ajudar a eleger-se.
Não, claro que não, é muito mais fácil e cômodo fazer a escolha pelo que nos mostram como "verdade" sobre as intenções dos políticos.
E então, com nossa total permissão, na tela, finalmente descortina-se diante de nossos olhos a solução de todas as mazelas.
Tchan-tchan... Ele, "o candidato".
Impecável, bem falante, quase sempre cercado de crianças sorridentes e felizes, e uma cuidadosa partitura musical de fundo a emoldura-lo em seu melhor sorriso.
Então, pra finalizar o tempo disponível no horário eleitoral com chave de ouro: "O jingle da campanha"!
Sou apenas mais um brasileiro descontente com a nossa política, mas o olhar daquela criança comendo lixo com seus pais vou reter com cuidado na memória, e será esse olhar que levarei para a cabine de votação nas próximas eleições.
Vou, a partir de agora, fazer toda a força possível para jamais esquecer, que todos nós comemos os "frutos" de nossas escolhas!
Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog

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