O sol ia surgindo no horizonte daquela cidade.
Um
céu avermelhado encimado por nuvens escuras dava um aspecto de
"feio/bonito" ao amanhecer.
Sobre o asfalto ainda úmido e frio estava eu estirado sem vida, pois o manto da morte me cobria por inteiro.
Os primeiros transeuntes, chocados com meu corpo, não apenas por
estar sem vida, mas pelo aspecto de uma deterioração que iniciou antes
da morte, ficaram estáticos olhando a cena.
Não me viam, somente eu os via, sentia a dor daqueles olhares de
estranhos que emitiam opiniões de lástima por ter alguém chegado aquele
estado de degradação.
Enquanto o grupo
se formava e dizia as coisas mais estranhas, mas verdadeiras, comecei a
lembrar o quanto fui feliz antes de me entregar ao vício e ceder aos
conselhos ruins de amigos (?) que mandavam provar das mais estranhas e
perigosas drogas, mas que jamais, segundo eles, fariam algum mal.
O sorriso alegre e de esperança em um futuro promissor que meus pais
esboçavam a cada nota mais alta na escola, ou a um elogio de algum
amigo ou professor, ecoava na minha mente sem corpo, enquanto olhava meu
corpo sem mente, prostrado como se fosse um mendigo de afeto e carinho.
Meus olhos espirituais fixaram olhos materiais sem vida e, como um
espelho, refletiram dias em que festas de aniversário organizadas por
minha mãe e tias identificavam um amor incondicional, enorme, e uma
esperança de que seria um homem de bem e retribuiria todo o carinho ali
depositado quando adulto.
Tentei fugir, mas não consegui.
Tentei não olhar, mas meus olhos espirituais não tinham pálpebras.
O choro era apenas uma dor, não havia lágrimas.
Não podia me desculpar pela dor que causara e que ainda causaria,
pois, mesmo nestas condições, meus familiares e amigos chorariam as
lágrimas que não possuo mais. Gritos e lamentos eu teria que ouvir e não
poderia dizer nada, somente sofrer todas aquelas dores e decepções de
pais que apostaram em mim.
Vi meu corpo
ser enrolado em uma lona preta e colocado em um veículo para ser levado.
As pessoas ainda ficaram no local, chocadas, tristes e maldizendo todo
este círculo de tráfico, distribuição e uso de drogas que permeia a
sociedade como uma víbora sedenta de almas. Vi meus pais em estado de
choque a recolher restos de meus trapos que sobraram junto ao corpo.
Seus
olhos estavam tão sem vida quanto os meus e a dor que experimentavam
era incurável e os acompanharia até seus últimos dias.
Antes de desaparecer sob o manto negro da morte, li o que estava escrito no muro próximo: Drogas, nunca mais!
Com este texto, tento mostrar a decadência
provocada pelo consumo de drogas, geralmente debutado sob a "inocente"
alegação: Eu só uso socialmente, ou ainda só fumo pra relaxar um
pouco... enfim pra cada caso uma desculpa. O consumo de drogas como a
cocaína, a heroína e o crack, leva, na maioria alarmante dos casos , a morte, e essa
senhora de codinome morte não é afeita a desculpas, seu preço é "a sua
vida"!
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