quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Criar filhos - um desafio à altura de todos?


    Recentemente estava refletindo sobre minha família, mais especificamente os filhos, ou melhor dizendo as filhas. Criar filhos é sempre uma tarefa  das mais complicadas e difíceis, pois é muito grande a responsabilidade de ensinar crianças e jovens ao longo das diferentes fases do desenvolvimento. 
        Hoje é uma das funções mais longas acompanhar um filho até que ele consiga ficar "independente", e, no entendimento dos pais filho é para toda a vida mesmo que já saiba se cuidar. 
        Tudo o que lhes acontece nos envolve de uma forma ou de outra, e, pai e mãe amorosos ficam ao lado, torcem, opinam, ajudam, fazendo de tudo para que a vida dos filhos seja a mais leve e segura possível. 
      Claro que vemos - ou ficamos sabendo - de filhos criados com abandono, seja por negligência ou mesmo falta de informação, oriundos de lares com pais que concentram-se em problemas mal resolvidos no relacionamento e negligenciam os filhos deixando-os à própria sorte. 
       Para um desenvolvimento maduro e saudável, crianças precisam proteção, segurança e carinho, mas também há de se ter ordem, respeito e limites que são fundamentais para o equilíbrio da relação afetiva.
       Pais socialmente bem formados sabem que dizer "não" pode ser feito sem a dureza e a rispidez que antes predominava, sabem também que o(a) filho(a) precisa ser ouvido, dizer o que pensa, o que sente, e perceber-se como parte fundamental do micro-universo chamado família.  
       Nada disso tem relação com inverter os papéis e deixar os filhos comandar tudo, assim como não há necessidade de comandos rígidos quando impera o respeito. 
       Creio que é deveras importante observar que as infelicidades, carências e desatinos dos pais aparecem na criação dos filhos, surgindo muitas vezes em atitudes, palavras ou mesmo reações agressivas, e que são, por omissão ou comodidade, "interpretadas" como - ele tem um temperamento difícil  ou ela tem uma personalidade forte - mas são essas reações que demonstram no dia a dia, assim como nos comportamentos mais desajustados, que nos dizem que algo está errado.. 
       Talvez fosse oportuno alguns pais  refletirem sobre o que está havendo em suas próprias vidas quando algo está acontecendo nas vida dos filhos. Não quero falar de culpas, mas sim de responsabilidades de uns para com os outros nessa relação simbiótica. Nada acontece isolado. É duro? Mas é assim, não se pode olhar para a vida confusa dos filhos e dizer que não temos nada com isso.

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