terça-feira, 6 de novembro de 2012

Retalhos do dia a dia.



Coletânea de observações vindas a partir de observações do nosso cotidiano.

           Causou-me espanto ler num jornal da capital gaúcha uma observação sobre as ferramentas utilizadas pelos senadores brasileiros em seu "trabalho":  - Tablet pessoal. A grande maioria revela sem o menor pudor, não saber usar e nem ter interesse em aprender. - Notebook. O senador entrevistado revela que tem vários "rolando" pelos gabinetes e que as vezes tem dificuldade até de localizar o seu. - Telefone celular. A média dos parlamentares possuem três, para (dizem) melhor exercer o seu ofício. Isso tudo generosamente pago pelo contribuínte, ou seja você, eu, o taxista, o padeiro etc... Agora vejamos as ferramentas utilizadas pela maioria dos professores públicos brasileiros: - Giz e Quadro-negro, quase sempre em péssimas condições assim como  as escolas em que ensinam. E nas campanhas eleitorais, políticos pregam em alta voz ser a educação a prioridade para o desenvolvimento do país.

     Jornal local estampa na coluna policial matéria em que a irmã de uma vítima de assalto, ligou para a polícia relatando o recém ocorrido fato, e teve como resposta de uma policial que não era possível fazer nenhum atendimento ou mesmo ir ao local por estarem sem viaturas. O que? Em uma cidade de quase 400.000 habitantes não ter viatura? Como um país, dito "emergente", saíndo do terceiro mundo, que não tem dinheiro sequer para comprar viaturas policiais quer sediar uma copa do mundo?

     Apenas por curiosidade, fico pensando se nossos líderes tanto no legislativo, executivo ou judiciário não estão exagerando nas sucessivas propostas de aumentos exponenciais de seus já vultosos salários, incrivelmentes maiores do que a receita da grande população, que no final das contas é quem realmente trabalha e produz nesse país, para que eles brinquem de autoridades e recebam os louros do poder. Gostaria de ver um, apenas um, dos nossos mandatários seguir o exemplo de Deng Xiao Ping, que se destituiu de todo salário, e de todas as regalias e honrarias ao assumir uma China caótica e atrasada e graças ao seu governo é hoje a potência comercial e financeira mais respeitada no mundo. Gostaria de ver, mas como tenho preguiça de esperar sentado vou juntar-me a voces, porque amanhã temos todos que trabalhar. Por todos entenda-se "o povo" é claro.

     O país tem uma estrutura tributária absurda, caótica, que supostamente só beneficia os arrecadadores, mas nem isso, porque não se pode arrecadar bem de uma economia constrangida pela própria forma de arrecadação. O Brasil tem uma infra-estrutura doente de terra e ar, e mata seu futuro a cada dia negando dignidade a professores, policiais e produtores de ciência e cultura. E o que faz o Brasil diante disso? Vai discutir acordos para minimizar o efeito mensalão.

     A premissa é de que um governo gasta boa parte do seu tempo e dos seus recursos trabalhando para reeleger o seu antigo chefe. Não é possível que nesse transatlântico só haja marinheiros de primeira viagem. A luta pela permanência no poder nasceu no dia em que se abandonou a ética e se criou a impunidade. Qual é exatamente essa diferença abismal entre tentar manter no cargo o mesmo governante e tentar eleger um sucessor aliado? Afinal o que é melhor? Um bis de  Lula Maluf ou a invenção de um Aécio Lula?

     Numa agenda política tacanha, em que só há foco para discussão de crises, CPIs e outras trombadas, a celebração de um pacto entre governo e oposição para acabar com o estigma de mensalão e mensaleiros, compõe o quadro acabado de uma república com alma de rincão. Para que botar ordem na tribo se podemos ficar aqui eternamente discutindo os cargos para os caciques?

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