Essa é uma história verídica e atual sobre dois médicos residêntes (internos) em um hospital público e que por motivos pessoais não possuirão nomes. Serão apenas "Ele" e "Ela", mas como verão no decorrer, podem ser facilmente encontrados em hospitais de todo o país!
O jaleco "dele" era imaculado, os bolsos vazios, exceto por um PalmTop com a relação de seus paciêntes e compromissos.
"Ela" usava uma agenda, todas as páginas dobradas e cheias, e em seus bolsos havia papéis, canetas, termômetro e estetoscópio.
"Ele" trabalhava no horário estritamente estiplulado pelo seu contrato com o Estado, nem um minuto a mais, raramente chegava ao hospital antes das 8 da manhã e saía sempre às 17 horas.
"Ela" chegava ao hospital ao amanhecer, dificilmente ia pra casa no horário, era quase rotina entrar noite adentro, em geral conversando com os parentes dos paciêntes.
"Ele" tinha uma idéia rígida do que é ser médico. Jamais fazia o trabalho de enfermeiros. "Ela" fazia o trabalho de todos. Pesava seus paciêntes, conduzia-os ao setor de Raios-X, enfim todas as tarefas de enfermagem.
"Ele" era jovial, descansado. "Ela" era esgotada, emotiva. "Ele" jogava tênis nos dias de folga, "Ela" lia artigos médicos para atualizar-se.
"Ela" trabalhava com imersão total em cada caso e seus paciêntes eram de sua responsabilidade.
"Ele" era um interno do novo milênio, com horários e deveres determinados e limitados. "Ele" se via como parte de uma equipe e seus paciêntes eram de responsabilidade compartihada.
Pesquisadores da universidade de Harward nos EUA, pesquisaram os efeitos da redução do horário dos internos em hospitais públicos de 80 para 60 horas semanais. Procuravam saber se dormindo mais cometeriam menos erros.
A profissão médica sempre vai atrair todos os tipos de pessoas, e como em todas as profissões serão profundamente diferentes entre si. Não é possível modificar o modo de nenhum deles trabalhar. No relato acima, "Ela" trabalhava demais, se importava demais; "Ele" de menos.
Quando os paciêntes morriam, ele dava de ombros certo de ter feito o que podia, ela chorava ante a perda mesmo tendo a certeza de que fez tudo o que podia até a exaustão.
Ainda que saibamos do extremo valor da medicina técnica, por meros motivos humanos vamos esperar e torcer para que a medicina do futuro tenha sempre um lugar para pessoas como "Ela"!
Comentário: AnalfaBlog

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