terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Direitos Humanos


   Estava em viagem no meu carro, e ao sintonizar em um programa de radio local deparei com um debate sobre Direitos Humanos, violência urbana, suas causas e soluções com as colocações de três eminentes formadores de opinião. 
   Do alto de sua sapiência lá estavam eles incólumes e impolutos, defendendo os direitos humanos para meliantes, unânimes em afirmar que a problemática da violência que nos assola fica por conta da falta de ações sociais que ofereçam ao criminoso oportunidades de trabalho digno.
       No momento pensei: 
       Vale a pena escutar um pouco isso para ver no que vai dar.
       Rapidamente percebi que era tempo perdido mas continuei ouvindo.
   O que se via claramente era uma indisfarçável tentativa de justificar o injustificável. 
      Em quase 30 minutos de um debate inexistente, visto que em 100% do tempo as opiniões eram unânimes, surgiram pérolas dignas de um romance de Dante.
    Para citar apenas uma, ao ser questionado sobre criminosos soltos pelo indulto de natal, que assassinam, estupram e assaltam, um dos entrevistados alegou que os "direitos humanos" nada tem a ver com isso, pois quem libera os presos é a lei, e é sobre ela que deve recair o peso dos erros cometidos pelos mesmos, assim como a ela devem ser feitas as reclamações de quem se sentir lesado, colocando a lei como ser tangível, que pode ser admoestado e cobrado por seus erros e não como aquilo que realmente o é: um conjunto de regras regulatórias para a sociedade civíl. 
   Ao término do programa de "debates" eu me encontrava em choque.
   Direitos Humanos é algo sério de amplitude mundial e o que acabara de ouvir ia as raias do absurdo.
    Os direitos humanos tem um papel social fundamental, além da sagrada proteção à vida, coibir atos e ilicitudes de governos sobre o cidadão, preservando-lhe a indentidade assim como sua idoneidade e o sagrado direito de ampla e irrestrita defesa, se bem que se percebe, eventualmente, vindo de certos "defensores humanos" uma blindagem protecional a assassinos ou criminosos de alta periculosidade dificultando, quando não impedindo o perfeito trabalho policial, não que esses sejam santos, mas isso é matéria para outra postagem. 
     Chega de bla,bla,lba, e vamos ao comentário sobre as colocações juristas e filosóficas destes três senhores. 
     A pergunta é: O que fariam o prof. Eres, o advogado Marcos ou ainda o sociólogo Ribas ao acordarem no meio da noite com um marginal apontando-lhes um arma, dentro de sua casa, em seu dormitório, aquilo que na teoria deveria ser o seu refúgio mais íntimo e seguro? 
      De que lhes serviria toda a verborragia juridica neste momento? 
      Já acordaram para a vida real?
     Já visitaram nações miseráveis onde pessoas são assasinadas nas ruas por governos corruptos, isso quando não morrem famintas? 
   Não sabem que Direitos Humanos não é defender bandidos, mas seus direitos básicos assegurados na lei?
   Por acaso já tomaram ciência do país em que vocês mesmo vivem? 
     Da naú chamada impunidade em que navegamos? 
   Dos conchavos de magistrados e juristas com políticos calhordas que para livrarem as caras de compadres e afins senão deles próprios, criam leis que no final favorecem apenados perigosos, fornecendo brechas na legislação para a felicidade maestra de certos advogados? 
     Já se concientizaram de que ao assistirem a lei que tanto usaram em suas colocações, colocar alguém que foi preso pela primeira vez, em uma cadeia lotada, sabendo que essa criatura vai ser seviciada, espancada e arregimentada para o crime, tornam-se anuentes, ou mais do que isso, coniventes
   Quando fecham os olhos para essa atitude da lei podem estar certos que vocês não estão sendo "humanos" e muito menos "direitos".
   Tomaram real ciência de que cárceres superlotados em cadeias dominadas por facções, não recuperam ninguém? 
    A problemática não está nos bandidos, eles são apenas o que são, ou na sociedade que simplesmente representa o coletivo, mas em vocês. 
    Enquanto se degladiam em discussões filosóficas de inútil utopia, afirmando como as coisas deveriam ser, desperdiçam inutilmente seus esforços desprezando o que realmente deve ser feito. 
   Lembrem que apenas os homens de bem ainda escutam seus arrobos e delírios de saber, os marginais, esses seguem céleres no seu metier. 
      Mas os homens de bem um dia também cansam e ai...

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