quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eleições 2010 - Tudo é justificável na corrida pelo poder.

               

               Enquanto passava os olhos pela lista de candidatos ao pleito de 2010 no site do TSE, alguem por puro deboche me fez recordar do Cacareco, que se elegeu vereador em São Paulo, nos idos de 1958, e de um artigo lido no jornal local que trazia a tona o rinoceronte escolhido pelos paulistanos para expressar sua insatisfação com a política, e teve ainda Tião, o macaco que arrecadou 400 mil votos na corrida pela prefeitura do Rio de Janeiro em 1988. 
                 Tento manter-me concentrado nas propostas de um ou outro candidato o qual acredito valer a pena estudar melhor sua história e projetos apresentados, mas como ficar alheio ao folclórico circo de candidatos de perfil totalmente incompatível aos cargos pretendidos, sem qualquer preparo político ou intelectual, assim como claramente "usados" pelos partidos políticos para puxar votos para a sigla.
               Nas rodas de amigos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) perderam espaço para Tiririca, (PR) Agenor Bisteca, Mulher Pera (PTN) ou Tati Quebra-Barraco. 
              Peças como essas só a votação nominal, como a do Brasil, é capaz de produzir e conforme acredita Luíza Erundina (PSB), se a votação fosse por legendas os partidos não apostariam em celebridades para buscar votos. 
             Essas apostas são um claro sintoma de exaustão dos partidos, da falta de critérios para aceitar e lançar candidaturas, e do baixo grau de politização do eleitor em geral.  Esses siglas beneficiam-se ainda do famoso "voto de protesto" utilizado para contestar o baixo nivél dos políticos, e que no final perpetua esse nível.
             O fenomeno dos candidatos bizarros não invalida nosso processo eleitoral, mesmo porque raros se saem bem. eles fazem algum barulho no horário eleitoral, mas raramente capitalizam votos em número expressivo. O eleitorado não é estúpido, por mais que não valorize seu voto.
             Claro que é sempre bom ter em mente que as celebridades costumazes ou ocasionais, tem tanto direito de se candidatar quanto outra pessoa, mas mesmo que raramente sejam eleitos, quando o são tem que buscar espaço para legislar entre 513 parlamentares, geralmente bastante experientes na função e essa conquista não e´uma tarefa fácil.
              O cientista político José Paulo Martins Júnior, professor da escola da sociologia e política de São paulo, acrescenta que não é o Tiririca que desmoraliza o processo eleitoral, ele já está nivelado por baixo há algum tempo.
              O que as pessoas parecem não enxergar, é que  alguns homens públicos valem-se de suas "imagens" para parecer honestos, todavia existe sempre um homem de "verdade" por baixo da imagem construída por marqueteiros profissionais, e que  pode ser um safado.  
           Mas através do voto podemos impedi-lo de eleger-se, e de fazer na vida pública o mesmo que faz na Privada.

Texto: AnalfaBlog
Comentários: AnalfaBlog

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